quarta-feira, 16 de setembro de 2020

O amor de verdade se mede em como você trata o seu amor quando não precisa mais conquistá-lo…

Eu particularmente adoro rotina. O cinema de sábado à tarde, o almoço caseiro de domingo, o happy hour de sexta à noite, a parceria nossa de cada dia. O amor é talvez a única rotina universal, junto com o típico baião de dois, que as pessoas fazem questão de se lambuzar e lamber os dedos. Quase um mantra: acordar, bocejar, levantar, sorrir, amar.

O grande problema da rotina é que ela é confortável demais. A paz e o aconchego de saber-se quando, onde e com quem não demora muito a ser confundida com desleixo. Quando se vê o pijama furado é figurinha marcada na cama, o corte de cabelo vencido também, e o pior de todos os males, os pequenos requintes de gentileza, como um “por favor” ou um “obrigado”, que eram tão comuns no início do relacionamento se tornam a mais absoluta raridade.

É justamente no dia a dia, no dividir das horas, que a gente consegue discernir um amante experiente de um amador. O amador descuida no quesito primordial de qualquer parceria: o tempo. E nessa de achar que o jogo está ganho perde-se conceitos, posições no ranking e no final da corrida, a pessoa amada. Amor nenhum sobrevive de máscaras.

De nada adianta bancar a gatinha manhosa ou o galante cavalheiro no início do namoro e depois simplesmente se esquecer de fazer um simples agradecimento pela reciprocidade alheia.

Nada como uma boa dose de intimidade para mostrar a essência de que cada um é feito. O experiente entende que o tempo apenas agrega valor ao relacionamento e que relaxar nunca deve ser uma opção. As pequenas demonstrações de respeito para com a pessoa escolhida para aninhar morada no peito da gente são imprescindíveis para o sucesso de qualquer relação.

Acima de tudo, saber diferenciar intimidade de reciprocidade. Respeito, companheirismo e cumplicidade vêm lá da vontade de se estar junto de alguém e não fundamentado em uma quantidade de tempo pré-estabelecida. Erro grave mesmo é descuidar do outro e da relação só porque a tão sonhada estabilidade já foi alcançada.

Se o outro te trata bem, com carinho, com a atenção e consideração que você merece é porque ele assim deseja, e claro, algum afago na alma você fez pra merecer esse afeto. Nada mais justo que retribuir todo esse apreço com pitadas generosas de cordialidade, amabilidade e cortesia. Respirar fundo antes de pronunciar respostas atravessadas, de tratar o outro com rispidez descontando um problema que nem de perto é da competência dele, se colocar na posição do companheiro (a), não perder a razão alterando o tom de voz, muito menos usar da famosa chantagem emocional para conseguir o que se quer.

Usar as palavrinhas mágicas que mamãe ensinou muito antes de você saber andar sobre as próprias pernas, por favor, obrigada, com licença, garante não só uma relação equilibrada como uma parceria de fato em harmonia.

Um relacionamento pode muito bem sobreviver ao esmalte vermelho lascado, a cueca furada, ao mau hálito matutino e ao chulé do futebol, mas de forma nenhuma uma união que se preze mantém bases sólidas sem o mínimo de respeito. Se no começo de tudo, quando o jardim era estrelado de flores, a docilidade para debater um descompasso imperava sobre qualquer indício de grosseria, nada mais natural que após o período “probatório” a cumplicidade amadureça.

As pessoas se unem em parcerias porque de repente ser dois passou a ser mais vantajoso que ser um só. Ao menor traço de desrespeito, inferiorização e desconsideração essa premissa vai por água abaixo e a melhor saída neste caso é mesmo buscar outros caminhos.

Aceitar o comportamento subversivo de quem anda de mão dada com a gente não é sinônimo de amor ou sequer de compreensão. Já dizem por aí que a gente aceita o amor que acha que merece. Amor próprio para reconhecer a barganha e a ausência de reciprocidade e, mais ainda para saber retribuir toda a dádiva de ter uma pessoa sensacional dividindo a travessia.

Conquistar todos os dias mais do que com flores, bombons e pompa. Respeito é uma sutileza que nunca cai na rotina. Surpreendente mesmo é poder dizer “obrigado” enquanto ainda existe algo concreto para ser grato.

Nem toda fome do mundo mantém os convidados na mesa se a companhia para dividir o prato principal for a indelicadeza de alguém que está ali puramente por escolha, e não, por mera obrigação.

*Deborah Furtado

Por Danielle Daian – Via: CasalSemVergonha

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