segunda-feira, 30 de setembro de 2013

Anjos

Quem nunca se sentiu sozinho e desamparado?

Quem nunca sentiu em algum momento que havia a impressão que tinha chegado ao fim do caminho e que não tinha mais solução?

Que seja por uma causa grave, ou por outras menos graves, todos já nos sentimos assim. 

Quando adolescentes, mesmo a dor de amor perdido pode nos dar essa impressão. Pensamos que nunca mais vamos encontrar outra pessoa, que nunca mais vamos amar outro alguém. Tudo toma uma forma tão grande e exagerada que toma conta da gente. 

Muitas vezes nos desesperamos  e sofremos antecipadamente por coisas que colocamos na nossa cabeça, mas que na realidade nunca chegam na nossa vida. 
Nesses momentos sentimos uma sensação de solidão profunda, de abandono. Tudo parece opaco, sem vida.

Mas sabem de uma coisa? Mesmo nos momentos mais difíceis da nossa existência, nunca estamos sozinhos. Mesmo quando não vemos ninguém ao nosso lado, Alguém certamente está lá e nos olha com os olhos cheios de amor, simplesmente esperando que a gente se entregue. 

Alguém que prometeu que levaria todas as nossas dores. Não só as físicas, mas também as existenciais, que são ainda mais profundas e difíceis de curar, pois não encontramos solução numa farmácia.

Acho um grande reconforto saber e reconhecer que nunca estamos sozinhos. Poder reconhecer que estamos fracos e frágeis, mas saber que existe uma Mão Invisível segurando a nossa, um Colo confortável e um peito cheio de amor e compaixão. 

Há uma grande verdade, mas que poucas pessoas sabem: Deus ama mesmo aqueles que não acreditam nEle, Ele cuida mesmo daqueles que não sabem que não estão sozinhos; Ele está sempre presente, mesmo quando olhamos à nossa volta e tudo parece vazio.

Há pessoas que acreditam em Deus, mas não em Anjos. Mas segundo a Bíblia "O Anjo do Senhor acampa-se ao redor dos que O temem e os livra". Então, por que não acreditar?!
De qualquer maneira, a verdade é que a solidão não existe. O que existe é a sensação de estar sozinho e abandonado. Nem existem as dores que doem eternamente. 

Se você um dia se sentir assim, abra os olhos da sua alma e tenha certeza que ao seu lado Alguém vai estar cuidando de você. Deixe-se amar e acalentar. Durma tranqüilo e se repouse. Tenho certeza que quando você acordar vai ter uma outra visão do seu próprio mundo. 

Deus te abençoe!

 © Letícia Thompson

sexta-feira, 27 de setembro de 2013

Deus não se envergonha de mim

Falamos abertamente das nossas paixões, mesmo com orgulho em certas ocasiões. O time de futebol preferido, um artista, uma pessoa importante. São coisas que nos dão satisfações inexplicáveis e que defendemos muitas vezes como se fossem parte de nós. 

Não nos envergonhamos, mesmo se as outras pessoas não possuem os mesmos gostos ou mesmas preferências.E me pergunto por que há pessoas que possuem tanta dificuldade para falar de Deus, de Jesus, se são Eles a razão mesmo da nossa existência e o único meio de salvar nossa alma para a eternidade.

Nosso time ignora nossa existência e nosso artista preferido freqüentemente também. Somos, para essas paixões, apenas um rosto a mais numa multidão.E quando as dificuldades nos assaltam, para onde dirigimos nossos olhos, nossas lágrimas, nosso coração sofrido? Para onde se dirigem nossas súplicas? 


Nesses momentos, as paixões do mundo tornam-se mínimas, insignificantes, até esquecidas. Nos dirigimos para Aquele que acreditamos ter a solução para nós e que possui um coração grande o bastante para se inclinar e nos ouvir. Aquele que é capaz de perdoar bem mais que setenta vezes sete e nos aceita cada vez que, arrependidos, acabamos voltando. Aquele que nos perdoa até o último minuto da nossa vida.
Nos momentos de desespero é fácil chorar, pedir, suplicar, sem que a gente se preocupe com o que vão pensar de nós. É muito fácil receber, aceitar.



Mas quando a tempestade passa e que o sol volta a brilhar, não é assim tão fácil abrir a boca e falar dAquele que nos segurou a mão nas horas difíceis. Pensamos no que vão pensar de nós, se vão nos julgar. Acabamos seguindo a maré, porque é mais fácil ser como todo mundo. 


Mas quem disse que precisamos ser como todo mundo, fazer como todo mundo? Convicções são convicções, pouco importa a situação. Não digo aqui que devemos entrar em discussões intermináveis sobre religiões. Fanatismo também é pecado e vemos diariamente nas notícias onde ele tem conduzido muitos povos. Não precisamos ser fanáticos para sermos quem somos, com toda honestidade. 


Negamos diariamente a Deus. Negamos quando nos omitimos, nos calamos ante certas circunstâncias que pediriam de nós uma atitude; negamos quando não dizemos às pessoas que necessitam que Ele é a solução. Negamos com nosso silêncio. 


E Deus se entristece. Porque Ele não se envergonha de nós, mesmo sendo quem somos. Jesus não se envergonhou da humilhação da morte de cruz, mas preferiu perdoar dizendo que as pessoas não sabiam o que estavam fazendo. 


Talvez quem negue não tenha ainda tido um verdadeiro encontro com Ele. Porque se Deus está em nós e nós nEle, brilhamos por onde passamos, como pedaços de luz numa noite escura. Somos livres e libertos. Vamos a Ele também na nossa alegria e não somente quando nossa alma chora e carece de ajuda.


É preciso pensar sobre isso. Pedro chorou amargamente depois de ter negado a Jesus e foi perdoado. Mas podemos viver sem ter que passar por esse caminho. Podemos trazer muito mais alegrias que tristezas ao coração de Deus, que nos ama acima e apesar de tudo.


© Letícia Thompson

quinta-feira, 26 de setembro de 2013

Alternativas...


As facilidades da vida nos limitam. Todas as nossas perfeições nos deixam assim preguiçosos e acomodados. Não desenvolvemos, por que não vemos a necessidade de ir além. É como ter acesso a algo e nunca buscá-lo, exatamente por que está ali, disponível. 
 
Nos extasiamos diante daqueles que encontram dificuldades e as vencem. Ficamos boquiabertos diante de vídeos de deficientes que fazem muito mais que nós e nesses instantes nos sentimos culpados. Mas isso passa logo. Poderíamos, nesse caso, nos perguntar quem é o verdadeiro deficiente.

Nos esquecemos que a vida é cheia de alternativas e nos bloqueamos diante do primeiro muro. Precisaremos primeiro estar cegos para que possamos desenvolver nossos outros sentidos? Será necessário perder o uso das pernas para se fazer uso das mãos e da mente?
Deus nos vê e Seu coração deve ficar apertado. Então Ele permite as dificuldades, não para nos maltratar, mas para que possa sair de nós o que melhor temos, como a pérola fechada na concha e infinitamente mais linda que sua roupa.

A vida nos mói, amassa, derruba muitas vezes para que possamos encontrar as saídas, para que possamos aprender a enxergar com os olhos da fé, para que possamos desenvolver outros sentidos e enriquecer nossas vidas. Para que possamos ser exemplo para os que vêm atrás de nós, assim como são para nós aqueles que seguem adiante e nem sequer compreendemos como é que conseguem as forças.

Não é a cegueira ou os defeitos físicos que nos tornam incapazes e debilitados, mas a cegueira e defeitos da acomodação, do desânimo, da falta de perseverança.
As alternativas não faltam na vida. O que falta, muitas vezes, é a motivação. E se esta não vem por si só, será necessário sim uma queda, uma perda, uma dor para que possamos florecer e mostrar ao mundo do quanto somos capazes.

© Letícia Thompson

quarta-feira, 25 de setembro de 2013

Onda (Wave)

Carlos Jobim em sua sensibilidade única uma certa vez cantou: "O amor se deixa surpreender" 
O melhor amor, é aquele que te surpreende. Aquele que você não está procurando e de repente, não mais que de repente, ele te encontra. 
Você nem o percebe a primeiro momento, mais aos poucos e bem rápido ele vai entrando, pedindo licença e você sem entender nada, vai deixando ele entrar, vai sendo surpreendido.
O verdadeiro amor você não o acha, você é achado. Em alguns casos não existem grandes esforços, tudo vai sendo compreendido, correspondido, como diz Arnaldo Jabor "[O amor] ... não obedece à razão. 
O verdadeiro amor acontece por empatia, por magnetismo, por conjunção estelar." Tudo fica implícito em olhares que se encontram, em mãos que se percebem, em corações que se sentem, não sei dizer como isso acontece, mais o amor é isso, ama-se justamente pelo que o amor tem de indefinível.

Sua chegada não é triunfal, mais a sua manifestação é arrebatadora. Esse sentimento é sem dúvida admirável, indefinível e imprevisível. Preveja o amor e você perderá sua essência, limite-o e perderá seu brilho, racionalize-o e você perderá o que ele tem de grande e magnífico. O amor está além de nossos métodos e formulas matemáticas. Ele não é uma cotação financeira e nem um produto de supermercado. 
Ah o amor  é tudo que eu não sei contar, é tudo que não sei dizer, é tudo que não posso imaginar. Desculpe-me todas as outras coisas mas "fundamental é mesmo o amor, é impossível ser feliz sozinho". (Deivyd Cavalcante)

"Amar não requer conhecimento prévio nem consulta ao SPC. Ama-se justamente pelo que o Amor tem de indefinível." (Arnaldo Jabor)

* romantico rebelde

terça-feira, 24 de setembro de 2013

Quando Deus diz não...

Mesmo se nos reservamos o direito a dizer não, dificilmente aceitamos essa palavrinha quando acreditamos que podemos obter alguma coisa.


As criancinhas aprendem rápido o não, de tanto que ouvem. E é evidente que se o fazemos com as crianças é porque assim aprendemos e que sabemos que os nãos fazem parte da vida e são mesmo necessários ao nosso bem-estar e crescimento.
 
Os adolescentes se rebelam ante o não, dizendo eles mesmos não ao que lhes é imposto ou não concedido. 
 
E então... chega a nossa vez, adultos, supostamente maduros e sábios. E nem sempre queremos aceitar. Das pessoas é mais fácil, pois nos consideramos mais ou menos de igual para igual, mas quando esse não vem dAquele que nos criou, não entendemos ou não queremos bem entender.
 
Nos rendemos aos pés do Pai com maior freqüência quando nos sentimos impotentes diante de uma situação, quando precisamos reconhecer que por nós mesmos não podemos fazer nada a não ser pedir misericórdia. São as doenças, as situações impossíveis de serem mudadas aos olhos humanos, quando precisamos de verdadeiros milagres...
 
E, corações sinceramente entregues, pedimos, nem sempre considerando que Deus pode responder de maneira diferente da qual esperamos. Dizemos que Ele tudo pode (e pode!), mas não consideramos o Seu coração, a Sua visão das coisas.
Assim, às vezes Deus diz não...
 
E essa resposta inesperada vai carregando assim todas as nossas esperanças depositadas naquelas orações, naqueles apelos profundos da nossa alma. E, quais crianças sem entendimento, arregalamos os olhos, sem impedir que nosso coração pergunte o porquê.
Coisa difícil!!! E não é difícil para uma pessoa mais que para outra, é difícil pra todo mundo, mesmo para aqueles que realmente vivem uma vida de submissão.
 
Aceitar uma resposta negativa de Deus é sinal de humildade e reconhecimento de que estamos na dependência dAquele que nos criou, que conhece nosso passado e nosso futuro e nosso âmago bem mais que nós mesmos, mesmo com anos e anos de psicanálise. Aceitar uma resposta negativa de Deus para qualquer área da nossa vida é ter maturidade espiritual.
Deus, quando nos diz não nos ama muito, com certeza mais que bastante e mesmo se não entendemos no momento, o melhor é nos curvar, pois nada há que Ele faça que não tenha sentido.

© Letícia Thompson 

segunda-feira, 23 de setembro de 2013

O Tempo


A felicidade é um diamante. Brilhando de mil fogos, ela nos fascina e às vezes temos a impressão de que é só privilégio de alguns... ou de um tempo!

Todas as fases da vida têm as suas alegrias e as suas dores. Fala-se muito em crise hoje em dia. Crise da adolescência, da meia-idade, crises existenciais a qualquer momento. 

São horas onde paramos para pensar em nós mesmos, onde adentramos nosso eu e, finalmente, saímos com a sensação de que alguma coisa ainda falta, ou está perdida. 
 
Adolescentes querem ser adultos; adultos dariam tudo para recuperar um pouco da inocência perdida, para viver lindos sonhos de adolescentes que talvez nunca se realizarão, mas que, enquanto estão lá, fazem viver... velhos falam do passado com nostalgia e saudade, como se não fosse mais possível experimentar momentos de felicidade. Não se sonha da mesma forma quando se tem quinze, vinte ou cinqüenta anos. 

 Felizmente!!! Sim... porque em cada fase as perspectivas são diferentes e o que está errado no ser humano é justamente pensar que uma pode ser melhor que a outra. É comum ouvirmos dizer, com certa tristeza: "naquele tempo eu era feliz e não sabia...".  Acho que em muitos momentos da vida a gente é feliz sem saber e só se dá conta quando essa felicidade não está mais presente.

Talvez daqui a dez, vinte anos a gente diga a mesma coisa do tempo vivido agora. Porque quando temos a felicidade ao alcance das nossas mãos, é raro que saibamos como fazer para tomá-la, cuidá-la como um bem precioso e inestimável. Se assim fosse, adolescentes não se questionariam sobre o futuro com ansiedade, os quinqüagenárioss não olhariam pra trás com arrependimento e pra frente com incerteza, porque cada um saberia tirar o máximo daquilo que têm e são, no momento presente.

É pura perda de tempo parar para refletir no que foi, poderia ter sido ou será. É preciso saber viver o que a vida nos oferece em cada instante. Os quinze anos não voltam mais? Estejam certos que os quarenta também não, nem os cinqüenta... então que possamos deixar as crises para aqueles que ainda não compreenderam que cada idade tem sua beleza, seu valor, sua importância. 

Não existe idade para se ser feliz e amar e sonhar não é privilégio de jovens que têm, teoricamente, toda a vida pela frente; é privilégio daqueles que sabem compreender que a beleza da vida está em acordar cada manhã, olhar em torno de si e se dizer que, se a vida deve ser um fardo, que seja de flores; que hoje é e será melhor que ontem e amanhã, porque o ontem se foi e o amanhã é um mistério que devemos descobrir aos pouquinhos.

 © Letícia Thompson

sexta-feira, 20 de setembro de 2013

Coisas do Amor

Por que um coração escolhe o outro, nunca vou saber. Há coisas para as quais não temos respostas, nem explicações, são mistérios da vida. 

Às vezes o amor toma conta da gente sem pedir licença. Chega devagarinho, muitas vezes disfarçado, invade e pronto: se instala! E mesmo se dizemos não, ele fica lá, teimoso, empacado. 

E aí não tem jeito, precisamos conviver com ele, aceitá-lo. Porque ele não desiste facilmente uma vez que decidiu enviar as flechas numa determinada direção.

Ele contraria nossas regras, às vezes mesmo nossos gostos, nos faz fazer coisas que antes julgávamos ridículas, nos deixa bobos e felizes. Muda nossos hábitos, nos faz amar música lenta, sonhar acordados e passar noites em claro, ou então nos acorda em plena madrugada. E nos faz ver estrelas, gostar de lua e de poesia. Ah! O amor nos faz perder o juízo!

Torna adolescentes em adultos e velhos em adolescentes: não existe regra, não existe idade, não existe nada além dele. Se é surpresa para corações jovens, para os mais vividos é um presente dos céus, pois chegou na hora em que não se acreditava mais possível. A esse é dado mais valor, nem mesmo tem preço.

Ele nos faz andar sem ter os pés na terra, nos dá asas, nos transporta e muitas vezes nos fere. Mas de ferida boa, dessas que a gente sofre mas conhece o remédio. Ah! E esse remédio!... Cura tudo, esquece tudo. A raiva da manhã já não tem mais o mesmo sentido à noite. O amor passa esponja como ninguém, só ele mesmo é que conta.

E esse amor que nos libera e nos deixa cativos é também a razão da nossa esperança, porque nos motiva, nos incita a ir mais além, nos dá força e coragem, mesmo se às vezes parece nos deixar débeis e frágeis. Mas ele é contraditório e, por isso mesmo, fascinante. Com ele vivemos; sem ele, apenas passamos pela vida. São assim as coisas do amor.

© Letícia Thompson

quinta-feira, 19 de setembro de 2013

O verde de nossa grama


Existe um provérbio muito popular em nosso país e também em países de língua inglesa que diz o seguinte: a grama do vizinho é sempre mais verde.

O provérbio foi objeto de estudo por um psicólogo americano, que resolveu checar, por meio de vários métodos, como percepção ótica e psicologia, se a frase é, de fato, verdadeira.

As conclusões são curiosas e uma delas inusitada: a de que, levando em conta o ângulo que uma pessoa forma em relação à própria grama e à do vizinho quando olha, realmente a do outro parecerá mais verde.

Segundo ele ainda, ao olhar para nossa própria grama, por entre as folhas, vemos também a terra marrom, que altera o verde, fazendo com que fique mais fraco.
Quando olhamos para a do vizinho, no entanto, o ângulo não deixa que vejamos a terra, só as folhas, o que fortalece a percepção do tom forte.

A divertida analogia nos serve para iniciar mais esta reflexão importante: será que estamos dando real valor à nossa grama, ao nosso verde? Ou ainda estamos preocupados demais com o verde aparentemente mais atraente do outro?

Olhando de longe, obviamente, não vemos a terra no jardim alheio, nem mesmo as irregularidades do gramado de nosso vizinho, que, acreditemos ou não, sempre está lá.
Não há vida perfeita, não há gramado perfeito neste planeta!

Então, por que gastamos tanto tempo e energias com sentimentos desequilibrados, como a inveja, por exemplo?

Sim, toda vez que observamos a felicidade dos outros e isso nos traz uma sensação desagradável, uma indignação ou uma tristeza, estamos alimentando em nós a inveja.
Vício moral, perigoso, esse sentir em desajuste pode nos levar a graves problemas, além de fazer grande mal aos que são foco dela em nossas vidas.

Por inveja, amizades são desfeitas, lares são destruídos, crimes hediondos são cometidos.
Toda avaliação que fazemos da vida de alguém à distância, é pobre, incompleta, pequena.
Invejamos as celebridades e seu glamour, por exemplo – baseados apenas em breves fotos, relatos ou aparições nesse ou naquele evento.

Desconhecemos os seus dramas, suas dificuldades de relacionamento, seus problemas familiares e, até mesmo suas inquietações e sofrimentos mais íntimos.
Deixemos de ser ingênuos e tolos achando que alguém neste mundo vive a vida perfeita. Na maioria das vezes temos problemas muito parecidos.

Trabalhemos assim, cuidando de nossa grama, para que permaneça sempre com cores vibrantes e se, eventualmente, encontrarmos gramado mais bem cuidado, que ele nos sirva de inspiração e alegria – nunca despertando inveja.

Evitemos questionar como, em que condições, se foi merecido ou não, quando mencionarmos as conquistas alheias. Não nos cabe julgar.

Finalmente, observemos a nossa grama com um pouco mais de atenção, pois poderemos perceber, ao valorizá-la, que é mais deslumbrante, mais reluzente do que imaginávamos que ela fosse.

quarta-feira, 18 de setembro de 2013

Temos muitos medos, mas …medo de amar?



Temos muitos medos: medo da violência, medo de altura, de inseto, medo de viajar de avião, medo da fome, medo da solidão que nos faz a todo momento buscar um relacionamento.
 Aí aparece o medo de amar e só a gente sabe o porque.
Se conseguirmos vencer a todos os medos por que temos tanta dificuldade de vencer o medo de amar?

Quando um amor lindo, intenso, profundo e denso acaba bruscamente porque uma terceira pessoa apareceu ou porque simplesmente não há mais interesse ou atração parece que somos rasgados por dentro e que nunca vai cicatrizar.

O que interrompe um sentimento que parecia tão profundo? É um mistério indecifrável.
O mais dolorido é que o amor termina só de um lado, nunca nos dois corações ao mesmo tempo, esfriando um antes do outro espalhando um pouco de dor para cada um dos parceiros.

Sim, também dói em que toma a iniciativa de romper, pois além do amor existe a amizade, que contínua, a ausência do outro com quem se acostumou. É sempre traumático, tem que quebrar rotinas, é uma decisão de grande responsabilidade, é fazer o ex-parceiro sofrer, mexendo com o afeto do outro, mas também de si próprio.

Para quem tem o amor rejeitado é muito dolorido. Fica com uma ferida exposta, definhando em público como se todos soubessem, a alma encolhe querendo entrar num buraco, sumir e esquecer o tempo gasto, com a sensação amarga de perda do amor, confiança, estabilidade, segurança.

Não cremos em mais nada, o romantismo perde todo o sentido e músicas, filmes, novelas e até propagandas idiotas nos fazem chorar.

O tempo passa, a dor do amor vai diminuindo, deixa de chorar e finalmente está com o coração reformado, novo. Se nada de bom está acontecendo, nada de ruim também não.
Chegou a hora de um novo amor?

-Nem pensar, tenho medo, logo respondemos.
-Medo? Medo do que?
-Medo de sofrer novamente.

Mas, será medo mesmo ou só estamos fingindo um pouco, resistindo para nos proteger?
Porém sabemos que é impossível recusar, querendo que esse amor logo apareça, mas não temos apenas coragem de admitir.
 Se antes tínhamos a ilusão que tudo era perfeito começamos a perceber que fantasiávamos que de uma forma irreal e a “ficha cai”.

Aos poucos começamos a descobrir que existem limites, e o melhor, que talvez não seja tão ruim assim o rompimento, pelo contrário. Ao nos livrarmos de muitas exigências bobas e supérfluas, começamos a enxergar o que realmente é importante para nós.
Passamos uma peneira fina e no final descobrimos que muitas das coisas que queríamos, objetos , coisas e relacionamento não fazem mais sentido e que apenas ocupavam espaço em nossas vidas.

Amadurecemos, o rompimento de um relacionamento nos faz crescer, e passamos a identificar com clareza o que é verdadeiramente necessário para ser feliz.
A vida começa a tomar forma novamente e muitas das ideias e conceitos que compreendíamos apenas em teoria passam a assumir a conformação de uma realidade efetiva.


terça-feira, 17 de setembro de 2013

A tentação

A tentação é uma prova pela qual passa nossa parte humana em grau mais ou menos elevado. Geralmente atinge nosso lado fragilizado e carente onde, por isso mesmo, existe uma brecha. Ou seja, chega nos momentos onde estamos mais vulneráveis e é preciso estarmos atentos para não cairmos nessa armadilha que nos conduzirá ou ao sofrimento ou a perdas, às vezes irreparáveis.

Elas são diferentes para cada um segundo aquilo que seu coração dá maior ou menor importância. Assim, um copo de bebida alcoólica representa uma tentação para quem está tentando parar de beber e não representa nada para uma pessoa comum. 


Por isso mesmo precisamos estar vigilantes com as nossas fraquezas, pontos sensíveis onde sabemos que podemos ser levados. 

Não se julgue forte demais. Você nunca esteve diante de algo que foi mais forte do que suas próprias forças e que te fizeram, por um instante, se esquecer de tudo o mais? Alguma coisa assim tão forte que por um momento você tivesse perdido toda a noção de pecado, certo ou errado... por alguns intantes você não pensou, você se deixou levar, sem medir conseqüências, sem pensar no depois. 


É como se no mundo todo só existisse você e seu desejo. Mas a realidade é cruel depois. A consciência acusa. Para alguns é suficiente esse sentimento de culpa para refletir e parar por aí. Mas para outros... a prática contínua de atos pecaminosos pode levar à idéia de que tudo é natural e sempre haverá uma desculpa, um meio de justificação para esse ato ou aquele. 

Deus não nos acusa. O fato de cairmos em tentação uma vez ou outra não nos torna pessoas perdidas, desde de que reconheçamos nosso erro. O que Deus não aprova são essas pessoas para as quais o pecado torna-se coisa natural e que se justificam dizendo que a vida passa muito rápido e que devemos tudo experimentar. 


Se você se conhece o bastante para ter consciência das suas fraquezas e não sabe se terá forças ou não para resistir, evite passar pelo caminho. Isso se chama sabedoria. Se sabemos que existe um abismo na nossa frente, vamos nos desviar, não? É assim com a vida... certos caminhos, certas escolhas, podem ser abismos dos quais dificilmente poderemos sair. 


A felicidade plena é a paz de espírito, a sensação de bem estar com a vida, com o corpo, com a alma. Se estamos nesse caminho, sigamos em frente. Se não... é sempre tempo de voltar e escolher uma nova direção.


© Letícia Thompson

segunda-feira, 16 de setembro de 2013

Que as lágrimas não nos impeçam de nos lembrar...

Que as lágrimas não nos impeçam de nos lembrar que uma pessoa que chega na nossa vida é um presente que nos foi oferto.

Há presentes assim valiosos que não duram muito, quando nossos corações desejariam que durassem eternamente e ignoramos por que eles se vão quando a vida parece apenas começar.


Mas se nos perdemos nesse mundo de questões sem respostas, a dor será muito maior que as lembranças de tudo o que a vida nos permitiu juntos enquanto durou a caminhada na terra.


Se tivéssemos que voltar atrás, teríamos preferido não ter encontrado, não ter conhecido, somente por que não pudemos guardá-lo no nosso seio mais tempo?
Não...
O vento passa, mas nos refresca; a chuva vem e vai, mas sacia a terra. O importante mesmo não é a quantidade de tempo que as coisas ou pessoas duram, mas a riqueza que elas trazem à nossa alma, o amor que nos permitimos dar e o que aceitamos receber.


As dores das partidas definifivas são indizíveis, indefiníveis, mas que elas nunca nos impeçam de nos lembrar da vida compartilhada. 


Que as lágrimas não nos impeçam de sorrir novamente um dia quando a dor for mais amena e as lembranças felizes começarem a voltar, como as flores no jardim a cada primavera.


A eternidade existe para que esperemos por ela, para que tenhamos o consolo de saber que um dia, se o Deus-Pai permitir, Ele que nos ama de amor infinito, poderemos novamente nos encontrar.


© Letícia Thompson

sexta-feira, 13 de setembro de 2013

Fiel no pouco

Nem sei quantas vezes na vida nos encontramos nesse meio caminho do não sei o que fazer, não sei que atitude tomar e a vontade de estar lá e cá ao mesmo tempo.

Há situações assim, que colocam nosso eu contra nosso eu, nosso coração contra nossa razão, a emoção que grita escancaradamente e a cabeça teimando em ficar no seu lugar.

Essas coisas são humanas, são parte da carga de cada um de nós, são esses caminhos desconhecidos que queremos evitar e descobrir ao mesmo tempo. E se pedimos do alto a sabedoria, vamos acertando aqui e ali, de maneira que nossas quedas não sejam tão dramáticas que não posssam ser curadas por Mãos amorosas.

Mas, se da vida para a vida é assim, do homem para Deus é diferente.
Não há meio caminho para o céu, não existe estar aqui e ali, não deve haver o acreditar um pouco, o estar morno e isso é bom.

Deus pede nosso coração, não parte dele; Deus pede nosso ser e não o que sobra dele; Deus pede nosso tempo e não os restos que podemos dar.
Ele nos deixa, creiam, o suficiente para que tenhamos para nós, para que nossos dias aqui na terra sejam saciados pelos nossos desejos humanos e naturais.

Foi Deus quem nos deu o amor e a capacidade de amar. As dores que resultam são o preço a pagar e isso vale todas as penas do mundo.
A nossa fidelidade para com Deus deve ser total. Os que são fiéis no muito o devem ser no pouco e no quase nada. Não existem meios pecados, meias culpas cheias de meias desculpas.

Quem erra uma vez tem sua culpa, mas quem erra duas vezes no mesmo caminho não tem muitas desculpas.
Deus não exige que sejamos perfeitos, Ele pede apenas que sejamos fiéis e tenhamos como meta nos assentar no trono da Graça.

Podemos, com os olhos fixos na cruz, mostrar nossa fidelidade nos pequenos atos do dia-a-dia, nas pequenas decisões, nos pequenos caminhos que escolhemos ou evitamos.
Fiel no pouco, fiel no muito. O Caminho para o céu é um só e ou estamos nele, ou fora dele.

Diz a bíblia que quem com Deus não ajunta, espalha. Pensamos pouco sobre isso e agimos menos ainda. Mas não estamos perdidos completamente, pois Deus conhece a sinceridade do nosso coração e nos afaga, nos aproxima dEle, nos pega nos braços e nos traz para junto de Si.

Tudo é uma questão de crer e isso de todo coração, toda a alma e todo o entendimento.

© Letícia Thompson

quinta-feira, 12 de setembro de 2013

Livre Arbítrio

Ninguém melhor que você pode saber o que é bom para a sua vida. Ninguém, com suas experiências, por mais frutuosas que tenham sido, poderá ditar o que você deve ou não fazer.
 
Quando estiver diante de uma escolha difícil... quando seu coração disser uma coisa e a razão, acompanhada de amigos, família, namorado ou namorada, disser outra, pense bem. 

Não se deixe levar por uma coisa, nem outra. O coração é facilmente levado por emoções e tem tendência a fazer com que percamos um pouco a nossa razão, ou a capacidade de raciocínio coerente. O coração é um romântico incorrigível!
Mas a razão sozinha não poderá ditar as regras da sua vida. Nem tampouco os que convivem com você. É preciso levar em conta a suas necessidades de bem-estar. 

Fazer algo porque todo mundo acha que deve ser assim é absurdo. É muito importante não magoar e nem decepcionar os outros, mas isso não deve ser às custas do sacrifício da própria vontade e necessidade de ser feliz. Ninguém, por mais próximo que seja, poderá decidir o que você vai viver. É sua vida! E você só tem essa!

É muito fácil dizer o que os outros devem ou não fazer. Não é por que se está de fora que vê-se melhor. A verdade é que decidindo por nós as pessoas tornam-se responsáveis pelas nossas escolhas. Mas isso, pode ter certeza, não passa pela cabeça delas. Se formos infelizes depois elas não vão dizer: "descanse, fique de fora que vou ser infeliz por você, pois a culpa foi minha." E, para falar a verdade, mesmo se fosse o caso, isso não seria possível. Ninguém, sofrendo nossas dores, faz com que dôa menos em nós.

É digno e honesto cumprir promessas. Mas é desonesto cumpri-las somente por dever, sem que haja um real sentimento movendo essa decisão. 
Ser honesto com os outros é muito bom. Mas, antes, é fundamental ser honesto consigo mesmo.

Por mais doloroso que seja, por mais difícil que possa parecer, libere-se do que pensam e dizem os outros. Pergunte-se: - o que eu quero para minha vida?
Uma coisa é certa: talvez você não saiba exatamente o que você quer, mas sabe muito bem o que não quer. 

Quando seu coração estiver brigando com sua razão, tente pensar no que vai te fazer feliz a longo prazo. 

Mas, mais importante ainda, feche seus olhos e se entregue nas Mãos dAquele que nos conhece antes mesmos que fôssemos nós. Mas faça isso de verdade, com sua alma. Ele sabe do nosso amanhã. E Ele não vai decidir por nós, ou impôr, mas vai certamente nos colocar uma luz que vai clarear nosso caminho.

E fique atento... os sinais aparecerão. E você saberá qual o caminho escolher. Talvez as pessoas mais próximas não entendam, se isso vier a contrariá-las. Mas eu aprendi que na vida habitua-se a tudo. 

Todo ser humano merece respeito. E os que te amam saberão entender.
E eu digo: tente encontrar o equilíbrio entre o que diz seu coração e a razão. A sua escolha será certa!

Que Deus te abençoe!

 © Letícia Thompson

quarta-feira, 11 de setembro de 2013

Melhor serem dois do que um

Busque alguém que acredite nos teus sonhos. Que aposta tanto em você que decide caminhar junto contigo. Que mesmo você errando e sendo covarde às vezes, sabe que você é capaz. Que não vê nos seus defeitos uma desculpa para desistir de você, mas sim, uma possibilidade de tornar você alguém melhor. Que é paciente e entende que pessoas não melhoram da noite para o dia. É impossível caminhar com alguém que não sonha com a gente.


Quem caminha sozinho pode ir mais rápido, mas quem caminha junto vai mais longe. O verdadeiro amor une as pessoas, é algo simbiótico, cada um cuidando não do que é seu mas do que é do outro. Muitos casais se decepcionam, porque estão caminhando em caminhos diferentes, cada um lutando pelo seu sonho e com o passar do tempo quando eles percebem, estão tão distantes que não conseguem voltar. 
Quando se está com alguém que você acredita faz-se de tudo porque você entende que vale a pena lutar, é a velha teoria do frescobol, dois jogadores, duas raquetes e uma bola. Só que, para o jogo ser bom, é preciso que nenhum dos dois perca. Se a bola veio meio torta, a gente sabe que não foi de propósito e faz o maior esforço do mundo pra devolvê-la no lugar certo, para que o outro possa pegá-la. 
Não existe adversário porque não há ninguém a ser derrotado. Aqui ou os dois ganham ou ninguém ganha. E ninguém fica feliz quando o outro erra. Você precisa admirar e acreditar, porque mais cedo ou mais tarde, vocês podem está distantes demais ou alguém pode conquistar demasiadamente sua admiração e roubar o seu coração. 
Relacionamento é união de forças, para que você possa ir além de onde você jamais iria, é fazer juntos o que você não faria sozinho. Amor só se multiplica quando se compartilha, perdão só acontece e é lindo quando se permite amar alguém que você sabe que não é perfeito. Andorinha sozinha não faz verão, nem capitão sozinho atravessa o mar, tão pouco um soldado apenas venceu uma guerra. 
Trate bem o seu amor,  pois achar uma pessoa pessoa qualquer é fácil, difícil é achar alguém que te ame e sonhe com você.

terça-feira, 10 de setembro de 2013

Caixa de primeiros socorros


Em nossos lares e escritórios, é comum dispormos de uma caixa de primeiros socorros, para eventuais pequenas emergências, resultantes de descuidos ou invigilâncias.
Para a nossa intimidade, também uma caixinha de primeiros socorros se faz importante. Naturalmente, seu conteúdo deverá ser um pouco diferente.

Vejamos o que ela deveria conter: um palito, um elástico, um curativo, um lápis, uma borracha, um chocolate e um saquinho de chá instantâneo.

Para que servirá tudo isso? 

Vamos por partes: 

  • o palito servirá para nos lembrar de escavar, nas pessoas da nossa convivência, todas as qualidades que elas têm e, assim, melhor conviver com elas.

  • O elástico será para nos lembrar de sermos flexíveis, já que nem as coisas, nem as pessoas são sempre da maneira como gostaríamos que fossem.

  • O curativo haverá de nos ajudar com sentimentos feridos. Tanto os nossos, causados pelos que amamos, e quase sempre sem se aperceberem, bem como os sentimentos dos demais, tantas vezes atingidos pela nossa forma de ser e agir.

  • O lápis servirá para que anotemos, todos os dias, a quantidade enorme de bênçãos que nos chegam: o calor do sol, a frescura da chuva, o benefício dos ventos, o perfume das flores, o ar que respiramos, o alimento que nos sustenta, as roupas que nos protegem das intempéries, as pessoas que se constituem em nossas alegrias. E tudo o mais que pudermos recordar.

  • A borracha será bastante útil para nos lembrar que todos cometemos erros e, da mesma forma que desejamos que os outros nos desculpem, também devemos apagar registros do que de errado fizeram conosco.

  • O chocolate é para recordar que todos necessitamos da doçura de um afago, de um beijo e de um abraço diariamente.

  • E o saquinho de chá? Bom, esse será para que tomemos um tempo, relaxemos e façamos uma lista de todos os que nos amam, iniciando por Deus, nosso Pai, que nos criou e que todos os dias nos envia as Suas mensagens de amor.

E, aproveitando esse tempinho, nos lembremos de que pode ser que para o mundo sejamos apenas alguém, mas para uma pessoa, que pode ser um filho, a esposa, o namorado, a mãe, um amigo, ou até mesmo para um animal de estimação, sejamos todo o seu mundo...
E, então, que tal providenciarmos essa caixinha de primeiros socorros para as nossas vidas?


No trato com os demais, observemos sempre as suas boas qualidades, relevando os traços que ainda não foram burilados.
Sustentemos as nossas amizades no clima da confiança, compreendendo as faltas alheias e as desculpando, porque, em essência, essa é a forma de amor que reeduca, promove e ergue as criaturas a alturas maiores.
Ofereçamos sempre a nossa melhor parte. Doemos a mais importante cota de que sejamos portadores, o que, em palavras mais simples, se traduz por amor.

segunda-feira, 9 de setembro de 2013

Seja você mesmo

Quando nos recusamos a passar quem realmente somos  para os outros, é a nossa imagem que eles passam a conhecer e até a amar ou não apreciar, e não aquilo que somos verdadeiramente.

Freqüentemente as pessoas têm medo do julgamento dos outros e elas preferem "seguir a maré" do que contradizer. 

Talvez tenham medo de se revelar por achar que não vão ser aceitas como são, ou então para não magoar e ferir os outros, preferem agir como se estivessem de acordo com tudo. Dizem sim quando interiormente pensam não.

E cria-se assim uma imagem falsa e errônea de si mesmo. Mas a vida não é um palco e nós não somos todos atores que, depois do espetáculo, se despem da sua personagem. Se fazemos isso criamos em volta de nós mesmos um mundo hipócrita.

Não digo aqui que devemos ficar jogando nossas verdades sem nos importar com a reação das pessoas. Nós não somos uma ilha e menos ainda o centro do mundo. Todavia, tem momento e meio pra tudo na vida. O importante é a sinceridade. 

Uma mesma coisa pode ser dita de diferentes maneiras e causar diferentes impactos naquele que ouve. É o que chamamos de eufemismo e que não faz mal a ninguém. Uma coisa é dizer "essa cor fica horrível em você" e outra "eu acho que aquela ficaria bem melhor em você."

Se não concordamos com uma idéia ou uma pessoa, há maneiras de expôr o que pensamos sem ser desagradáveis. 

Nós somos o que somos e pensamos o que pensamos. As pessoas que nos amam devem nos amar por aquilo que somos e não pelo que aparentamos ser. Elas nos aceitarão apesar de nossas falhas se perceberem que somos sinceros e se nos amarem verdadeiramente.
Os verdadeiros amigos não devem estar obrigatoriamente o tempo todo de acordo, mas devem aprender a respeitar e aceitar a diferença do outro, porque são justamente as diferenças que nos enriquecem.

Qualquer que seja a situação, seja você mesmo. Sincero, límpido, transparente. Talvez você não seja o ideal para todo mundo, mas você saberá que aqueles que te amam, amam profundamente e de todo o coração.

© Letícia Thompson

sexta-feira, 6 de setembro de 2013

Quanto vale?


No mundo em que vivemos, a maioria de nós valoriza em demasia as coisas materiais. Nossos anseios giram em torno da ascensão profissional, dos lucros obtidos, das aplicações em fundos de investimento e em bolsas de valores.

Esgotamo-nos em horas intérminas de trabalho, em demonstração de engajamento e dedicação, no anseio de conquistas polpudas em nossos salários.

Idealizamos a casa, as viagens, os passeios, o carro, quem sabe, um pequeno barco.

Nossos dias, semanas e meses se sucedem em torno do angariar mais para mais usufruir.
Naturalmente, como as conquistas se fazem a muito custo, tudo é zelosamente cuidado.
Zelamos pela conservação da residência, da casa na praia, do carro, das joias.
No entanto, de um modo geral, existem valores aos quais não damos maior importância... até o dia em que os perdemos.

Assim, quando a morte, como lei natural, nos surpreende, levando um dos nossos afetos, sentimos que nos falta o chão.
Quando chegamos em casa e não encontramos a bagunça, os brinquedos espalhados; quando não temos mais o colar diário de dois bracinhos em nosso pescoço, quanta tristeza!
Sentamos no sofá, caríssimo, que tanto prezávamos, com desânimo. O entorno perdeu seu significado. A joia mais valiosa se foi. Aquela que somente deixou uma imensa saudade no cofre da nossa intimidade.

A casa tão rica de tapeçarias e cristais jaz fria e quieta.

O que não daríamos para ter o esposo, de novo, adentrando o lar, batendo a porta, soltando as chaves com ruído sobre a mesa, e a voz sonora a anunciar: Cheguei!
Dentre tantos amores, um colo de mãe é ainda mais precioso. Valor inigualável.
E, tantas vezes deixado de lado porque nos sentimos donos do mundo, vencedores, seguros de nós mesmos.

Contudo, quando a mãe adentra o plano espiritual, instala-se no coração dos filhos a carência e a saudade.
Possivelmente, ninguém melhor traduziu esses sentimentos do que a menina órfã que desenhou no chão, em tamanho natural, uma figura de mãe.
Depois, deitou-se exatamente à altura do que seria o colo daquela mãe, aninhou-se e adormeceu.

Nada mais significativo do que a imagem que foi retida pela lente ágil de um fotógrafo.
Colo de mãe! Quanto valerá no mercado financeiro?
Colo de mãe que aninha, protege, transmite segurança, bem-estar.
Colo de mãe quentinho, amoroso. Colo de mãe sem igual.
Colo de mãe não tem preço.


Pensemos nessa preciosidade que é um colo de mãe e honremos todos os dias, com nosso carinho, essa que disse sim à vida e nos permitiu vir ao mundo.
Amemos essa gema sem preço. Aproveitemos o colo de mãe, sempre gratos, antes que a morte a arrebate dos nossos olhos.
Porque, então, somente pelos fios do pensamento poderemos ter a ventura do reencontro, enquanto permanecermos por cá, em bendito exílio, na Terra que o Senhor Deus nos permitiu habitar, crescendo para o progresso.

quinta-feira, 5 de setembro de 2013

Milagre


Há pessoas que não acreditam em milagres. Outras, por experiência ou por fé, acreditam e o afirmam. 
O que é um milagre senão algo de excepcional que nos acontece, ou aos outros e que não achamos explicação em lugar nenhum?!

Para alguns, milagre é ver alguém curado de uma doença da qual estava condenado; para outros, um deficiente sair andando normalmente. E uma pessoa que sobreviveu a um acidente de avião? E então, segundo a fé que se tem, acredita-se ou não. E provavelmente quem não tem fé não acredita nunca.

Mas para muitos, felizmente, tudo é tão mais simples...
Não é um milagre ver um bebê que passou nove meses no ventre da mãe e que depois nasce com personalidade própria, características próprias? E quando a gente se esquece completamente da dor quando tem aquele ser pequenininho nos braços... Quem ainda não teve a bênção de viver essa experiência deveria experimentar e quem já teve... sabe bem do que estou dizendo!

Quem já plantou uma semente minúscula e viu dali brotar uma árvore teve certamente uma sensação parecida.

A vida está cheia de milagres, a gente é que não sabe ver. Uma bola de fogo pendurada em nada e que vem cada dia para iluminar nosso dia é um milagre cotidiano; sua companheira, a quem raramente encontra, que nos oferece belos espetáculos e faz sonhar os poetas, também é um milagre cotidiano;

Dois corações que se apaixonam sem nenhuma explicação não é também?!
É maravilhoso poder acreditar que existe algo além do que podemos sentir ou tocar. As pessoas que se extasiam diante dessas belezas que nos cercam diariamente são provavelmente mais felizes que outras.
E ter um coração que pode sentir felicidade em meio a tantas tribulações já não é um milagre?

Acredite na vida! Olhe em volta de você e verá que existe bem mais belezas inexplicáveis no mundo do que nosso coração em toda sua existência poderia sonhar. 

Sente-se um dia ao entardecer e aprecie o pôr-do-sol, ou acorde bem cedo para ver a aurora... São espetáculos únicos e que não têm preço. Olhe em sua volta, plante uma semente, dê um pouco de você mesmo a quem precisa, faça alguém sorrir...

Afinal, a gente nem sempre se dá conta... mas... cada um de nós já é um milagre da vida!!!

 © Letícia Thompson

quarta-feira, 4 de setembro de 2013

O amor que se perdeu

Poucas coisas doem tanto. Poucas coisas fazem tanto mal a ponto de tirar muitas vezes a vontade de viver.
Se estamos doentes, vamos a um médico, fazemos tratamento, esperamos pacientemente nossa cura. Mas estar doente de amor é outra coisa. Não há médico que resolva, não há remédio que possa curar. Não há conselho que valha.

Quando um amor chega, ele traz na bagagem muita coisa. Mais ainda do que todas as nossas noites de sonhos poderiam sonhar. O amor é sempre mais do que o que esperamos quando ainda não sabemos nada dele.

E quando ele parte, vai levando também nossos sonhos e nossa visão do amanhã. Arranca de nós de forma bruta a felicidade que se estava construindo, aquele mundo desconhecido que estávamos desbravando com tanta coragem. E sem anestesia, sem preparação. Por isso dói tanto e tanto.

Quando amamos alguém inteiramente, entregamos a essa pessoa um pedaço do nosso ser. E quando essa pessoa se vai, a impressão que temos é que esse pedaço vai junto. Por isso essa sensação de vazio no interior. E por isso também essa idéia de que nunca mais amaremos, como se o mundo não fosse uma casa repleta de portas e janelas abertas.

As lágrimas que encobrem nossos olhos, nos impedem de ver o exterior, de ver à frente. Só olhamos pra trás, o que foi vivido, o que foi sonhado; só olhamos pra dentro, o que não temos mais. E uma enorme sensação de solidão toma conta da gente.

As pessoas a volta nem sempre compreendem. Como é possível amar tanto assim? Como é possível se entregar a esse ponto de se perder? E essa incompreensão do mundo que nos cerca aumenta ainda mais nossa sensação de vazio e pequenez.

Precisamos nesses instantes de mãos que segurem nossas mãos para nos ajudar a atravessar esse período, não de pessoas que nos julguem. Precisamos de pessoas que, mesmo em silêncio, nos ajudem a sonhar novamente, a descobrir ainda as belezas que o mundo nos propõe. O mundo é ilimitado, mesmo se em alguns instantes só conseguimos ver limites.

O coração, mesmo ferido (e que ninguém duvide dessa ferida que é real!) ainda está inteiro. E ele precisa ser cuidado para que possa se restabelecer, para que possa se abrir novamente um dia a novas oportunidades que certamente virão. Porque isso vai acontecer.
Acreditem! Nada mais incansável que o coração quando se trata de amor. Nada mais teimoso! Nada mais ridículo e nada mais belo!...

Ele recomeçará. Porque se dor de amor dói tanto é porque faz também tanto bem. São as contradições da vida, mas que aceitamos de bom grado.

É só esperar um tempo e ele recomeçará. E nós com ele... porque assim segue a vida!...

© Letícia Thompson


terça-feira, 3 de setembro de 2013

Fiel no pouco

Nem sei quantas vezes na vida nos encontramos nesse meio caminho do não sei o que fazer, não sei que atitude tomar e a vontade de estar lá e cá ao mesmo tempo. 

Há situações assim, que colocam nosso eu contra nosso eu, nosso coração contra nossa razão, a emoção que grita escancaradamente e a cabeça teimando em ficar no seu lugar.


Essas coisas são humanas, são parte da carga de cada um de nós, são esses caminhos desconhecidos que queremos evitar e descobrir ao mesmo tempo. 


E se pedimos do alto a sabedoria, vamos acertando aqui e ali, de maneira que nossas quedas não sejam tão dramáticas que não posssam ser curadas por Mãos amorosas.
Mas, se da vida para a vida é assim, do homem para Deus é diferente.
Não há meio caminho para o céu, não existe estar aqui e ali, não deve haver o acreditar um pouco, o estar morno e isso é bom. 


Deus pede nosso coração, não parte dele; Deus pede nosso ser e não o que sobra dele; Deus pede nosso tempo e não os restos que podemos dar.
Ele nos deixa, creiam, o suficiente para que tenhamos para nós, para que nossos dias aqui na terra sejam saciados pelos nossos desejos humanos e naturais.
Foi Deus quem nos deu o amor e a capacidade de amar. As dores que resultam são o preço a pagar e isso vale todas as penas do mundo.


A nossa fidelidade para com Deus deve ser total. Os que são fiéis no muito o devem ser no pouco e no quase nada. Não existem meios pecados, meias culpas cheias de meias desculpas.
Quem erra uma vez tem sua culpa, mas quem erra duas vezes no mesmo caminho não tem muitas desculpas.
Deus não exige que sejamos perfeitos, Ele pede apenas que sejamos fiéis e tenhamos como meta nos assentar no trono da Graça. 


Podemos, com os olhos fixos na cruz, mostrar nossa fidelidade nos pequenos atos do dia-a-dia, nas pequenas decisões, nos pequenos caminhos que escolhemos ou evitamos.
Fiel no pouco, fiel no muito. O Caminho para o céu é um só e ou estamos nele, ou fora dele. 


Diz a bíblia que quem com Deus não ajunta, espalha. Pensamos pouco sobre isso e agimos menos ainda. Mas não estamos perdidos completamente, pois Deus conhece a sinceridade do nosso coração e nos afaga, nos aproxima dEle, nos pega nos braços e nos traz para junto de Si. 


Tudo é uma questão de crer e isso de todo coração, toda a alma e todo o entendimento.

© Letícia Thompson

segunda-feira, 2 de setembro de 2013

Coragem ou ousadia

Mudar uma vida em curso é um ato de coragem, todos dizem.
Ousar dizer "não", procurar outros caminhos, ver além do horizonte outras possibilidades e prosseguir com a cabeça erguida é uma atitude que requer muita força interior, pois significa ir contra pessoas, costumes e hábitos que deixamos se instalar no nosso dia-a-dia. 

Coragem ou ousadia?

Talvez os dois, pois sem ousadia é impossível se ter uma idéia e levá-la adiante; sem coragem não conseguimos forças para lutar pelos nossos ideais e sonhos. Dizem que só os fortes são capazes de tais atos. Talvez seja verdade, quem sabe?

Mas aqueles que ficam, que se deixam levar pelas correntezas da vida, mesmo quando não se sentem felizes, que se sentem incapazes de uma atitude ou um gesto que possa fazer uma diferença, mesmo que pequena, eu não diria que são covardes ou que deixaram de ser corajosos...

Por que na verdade é preciso ter muita coragem para abrir mão e abandonar os próprios sonhos, dos próprios desejos, de um amor talvez e da própria definição de felicidade. É preciso muita coragem para se ficar onde se está, olhar o horizonte e acreditar que ele está muito longe e inacessível.

Tentar mudar o próprio destino talvez seja um ato de bravura; coragem mesmo é correr o risco de se olhar no espelho daqui a dez ou vinte anos e se dizer que a vida passou muito rápido e que talvez as coisas pudessem ter sido diferentes se a gente tivesse apenas ousado, nem que fosse por uma vez, mudar o curso das coisas.

Não tenha medo de abrir mão do que você quer para viver o que Deus quer para você

Deus só pode agir naquilo em que O deixamos trabalhar. Às vezes, saímos feridos de um relacionamento, tão machucados, que achamos que o “o a...