Nem todo mundo merece o que você tem de mais precioso: o seu tempo.
Nem todo mundo merece o que você tem de mais precioso: o seu tempo.
Há quem se aproxime apenas para colher o que é fácil, o que é rápido, o que serve no agora.
Gente que olha para você como se fosse um relógio — útil, preciso, descartável.
Que pergunta, mas não escuta. Que aparece, mas não permanece.
Que quer respostas, mas não tem perguntas sinceras.
Mas você não é ponteiro girando em círculos.
Você é tempo vivido. É história, é pausa, é intensidade.
É presença que transforma o instante em memória.
Por isso, escolha com carinho onde repousa sua atenção.
Nem todo “oi” merece um “olá”. Nem todo convite é um encontro.
Nem todo interesse é afeto.
Ofereça seu tempo a quem sabe o valor de um silêncio compartilhado.
A quem não tem pressa de ir embora.
A quem te olha nos olhos e enxerga mais do que utilidade — enxerga você.
Porque o tempo que você dá é vida.
E a vida, essa sim, é sagrada.
E se é sagrada, não se entrega em qualquer altar.
Não se oferece em bandeja para quem só quer consumir.
Não se despeja em corações que não sabem acolher.
Seu tempo é templo. E templo não se invade — se respeita.
Há pessoas que vão te procurar só quando estiverem perdidas.
Que vão te chamar só quando estiverem vazias.
Que vão te querer só quando não tiverem mais ninguém.
E vão embora assim que encontrarem o que buscavam.
Não porque você não foi suficiente, mas porque nunca quiseram permanecer.
Não se culpe por isso.
Não se diminua.
Não se molde para caber em espaços apertados.
Você não nasceu para ser encaixe — nasceu para ser universo.
Valorize quem caminha ao seu lado mesmo quando não há destino.
Quem permanece mesmo quando não há festa.
Quem te escuta mesmo quando você não tem palavras.
Quem te entende mesmo quando você não se entende.
Esses são os que merecem o seu tempo.
Porque não querem apenas saber as horas — querem viver o relógio com você.
Querem estar quando o tempo for leve, e também quando for pesado.
Querem ser parte da sua história, não apenas uma nota de rodapé.
Então, seja generoso, sim. Mas não seja ingênuo.
Seja presente, mas não esteja sempre disponível.
Seja inteiro, mas não se entregue em pedaços.
Porque o tempo que você dá é vida.
E a vida, essa sim, é sagrada.
E sagrado, meu bem, não se profana.
*César

