Deus não permitiria um mal se desse mal não pudesse tirar um bem maior.


Há momentos em que a dor pergunta alto e a razão sussurra respostas insuficientes. Nesses instantes, a fé encontra um terreno onde a cabeça e o coração precisam caminhar juntos: a onisciência de Deus não é frieza distante, é a garantia de que nada escapa ao olhar d’Aquele que te conhece por inteiro — suas alegrias, seus medos, suas feridas mais íntimas. Saber que Deus sabe não apaga a angústia, mas dá um ponto de apoio: você não está perdido num universo cego; há um propósito que vê além do que seus olhos alcançam.

A bondade de Deus não se confunde com a ausência de provas ou com explicações fáceis. A bondade divina se revela na presença que sustenta quando tudo desaba, nas mãos que se estendem através de pessoas, no consolo que chega em formas inesperadas. Às vezes o bem que Deus tira do mal não é imediato nem visível como um milagre espetacular; é uma transformação lenta do caráter, uma compaixão que nasce onde antes havia amargura, uma nova direção que só o tempo revela. A bondade de Deus trabalha em camadas: cura o que é urgente e, ao mesmo tempo, planta sementes para um bem que florescerá mais adiante.

O amor de Deus é a lente que dá sentido à história inteira. Não é um amor que observa passivamente o sofrimento; é um amor que entrou na história, que se fez vulnerável, que conhece o preço da dor. Esse amor não promete uma vida sem cruzes, mas promete caminhar com você na travessia, carregar parte do peso e transformar o que foi quebrado em matéria-prima para a esperança. Quando você sente que o mal venceu, lembre-se de que o amor divino é maior que qualquer circunstância e que ele age mesmo quando você não enxerga o movimento.

Há um mistério que a fé aceita sem resignação: Deus, em sua sabedoria, permite que certas coisas aconteçam, não porque Ele seja indiferente, mas porque, em sua soberania, pode redirecionar até o que é ruim para um bem maior. Isso não é justificativa para o mal nem consolo simplista; é convite à confiança ativa. Confiar não significa cruzar os braços; significa orar com sinceridade, agir com responsabilidade, buscar justiça e cura, e ao mesmo tempo descansar na certeza de que Deus pode tecer um propósito onde parecia haver apenas ruína.

Enquanto isso, sua resposta importa. A fé que transforma é prática: ora, mas também estende a mão; chora, mas também acolhe; questiona, mas também persevera. Deus usa corações dispostos para ser instrumento de restauração. Quando você escolhe amar, perdoar, ajudar, plantar esperança, você coopera com a bondade divina e participa do bem que Deus quer tirar do mal. Sua vida pode ser canal de luz para outros que ainda não conseguem ver além da dor.

Por fim, mantenha a esperança como postura diária. Não é ingenuidade, é coragem fundamentada na promessa de que Deus é maior que o mal e fiel para trazer bem onde houve perda. Segure-se nessa verdade: a onisciência de Deus conhece o fim desde o começo; a Sua bondade trabalha mesmo nas sombras; o Seu amor não abandona. Caminhe com essa confiança, permita que a fé molde suas escolhas e deixe que, aos poucos, o que foi doloroso se converta em testemunho — não porque o mal foi justificado, mas porque o bem maior venceu, e você foi chamado a viver e a contar essa vitória.


*César

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