O Valor do Instante



Um dia, a voz que preenchia os espaços se cala. O som que parecia eterno desaparece, e o silêncio ocupa o lugar que antes era vida. O abraço que era rotina, simples e constante, transforma-se em lembrança guardada no coração, como uma fotografia invisível que nunca se apaga. O tempo, que tantas vezes acreditamos ser infinito, revela sua verdadeira face: sempre foi breve, sempre foi fugaz, sempre correu mais rápido do que nossa capacidade de perceber.

A vida é feita de presenças que se tornam ausências, de rotinas que se transformam em memórias, de instantes que se revelam irrepetíveis. E é nesse movimento que aprendemos a valorizar o que temos enquanto temos, porque nada nos garante que o amanhã trará o mesmo calor, o mesmo sorriso, o mesmo olhar. O que hoje parece comum, amanhã pode ser saudade. O que hoje parece garantido, amanhã pode ser vazio.

O silêncio das ausências não é apenas dor, é também revelação. Ele nos ensina que cada gesto importa, que cada palavra pode ser a última, que cada encontro carrega em si a eternidade de um instante. O que parecia banal se torna precioso quando já não pode ser repetido. O que parecia rotina se revela como dádiva quando já não pode ser alcançado. É nesse contraste que percebemos que a vida não nos pertence: ela apenas nos empresta momentos, e cabe a nós decidir como vivê-los.

O tempo é mestre em mostrar que nada é permanente. Ele nos lembra que cada abraço é único, que cada voz é insubstituível, que cada presença é um presente. E é nesse empréstimo que reside a beleza da vida: saber que cada instante carrega em si a eternidade de um significado. O que permanece não é a duração, mas a intensidade. Não é a quantidade, mas a verdade.

Por isso, não espere o silêncio para valorizar a voz. Não espere a ausência para reconhecer o abraço. Não espere o fim para perceber a brevidade do tempo. Ame enquanto pode, viva enquanto há vida, abrace enquanto há braços. Porque um dia tudo se torna lembrança, e o que permanece não é o que foi eterno, mas o que foi verdadeiro.

E quando o tempo mostrar sua face breve, que você possa olhar para trás e perceber que não desperdiçou os instantes. Que cada palavra foi dita com sinceridade, que cada gesto foi feito com amor, que cada encontro foi vivido com intensidade. Porque o que realmente importa não é o quanto dura, mas o quanto transforma.


*César

Postagens mais visitadas