Quem Abre Portas, Abriu o Mar
Há momentos em que o coração se aperta. A incerteza nos visita, o medo nos ronda, e a mente insiste em imaginar portas fechadas, caminhos bloqueados, impossibilidades. Ficamos preocupados, como se o futuro fosse um labirinto sem saída. Mas então, a lembrança nos alcança: quem abre a porta é o mesmo que abriu o Mar Vermelho.
Essa imagem é poderosa. O mar, vasto e intransponível, se tornou caminho. O impossível se transformou em passagem. O que parecia fim se revelou início. E é essa mesma mão que age hoje, diante das nossas portas. Se Ele foi capaz de abrir o mar, não há fechadura que resista ao Seu poder.
A preocupação nasce da nossa limitação. Vemos apenas o obstáculo, sentimos apenas o peso, enxergamos apenas o que está diante dos olhos. Mas Deus vê além. Ele conhece o tempo certo, o modo certo, a porta certa. Ele não se limita às nossas percepções, porque Seu agir transcende o que podemos imaginar.
E é nesse ponto que a fé se torna descanso. Não porque os problemas desaparecem, mas porque sabemos que não estamos sozinhos diante deles. A mesma voz que ordenou ao mar que se abrisse é a voz que nos guia hoje. A mesma mão que sustentou o povo no deserto é a mão que nos sustenta agora.
Humildade é reconhecer que não temos controle sobre todas as portas. Mas confiança é acreditar que Deus tem. Ele abre quando é tempo, fecha quando é necessário, guia quando é preciso. E, no fim, descobrimos que cada porta aberta não é apenas oportunidade, mas testemunho: prova de que o impossível se curva diante da vontade divina.
Assim, a preocupação se transforma em esperança. Porque se o mar se abriu, também se abrirá o caminho diante de nós. Se a terra seca surgiu onde antes havia águas profundas, também surgirá passagem onde hoje vemos apenas barreiras.
No fim, não é sobre a porta em si, mas sobre quem a abre. E quando lembramos disso, o coração encontra paz. Porque quem abre portas é o mesmo que abriu o mar. E se Ele fez ontem, pode fazer hoje.
*César

