O jogo invisível da existência.


Alguém lá de cima continua torcendo por nós… pelos que riem sem motivo, pelos que tropeçam no próprio passo, pelos que acreditam que segurar o mundo cabe em suas mãos. Mas o mundo é líquido, escorre, não se deixa prender. E nessa tentativa de agarrar o impossível, revelamos nossa humanidade: frágil, mas insistente, vulnerável, mas teimosa.

Somos apenas personagens em um palco maior, cada gesto escrito na carne, cada palavra ecoando na alma. O palco não tem cortinas, não tem plateia visível, mas há olhos atentos, invisíveis, que acompanham cada ato. E mesmo quando acreditamos estar sozinhos, há sempre uma torcida silenciosa, uma força que nos empurra para frente, como se cada respiração fosse um aplauso vindo de longe.

Esperamos sempre por uma voz quente que nos diga: “ouça… há um assunto”. E nesse instante, tudo se suspende. O tempo se dobra, o coração se abre, e percebemos que não estamos apenas vivendo — estamos sendo chamados. Quem dera que fosse simples, que bastasse puxar as cordas e esquecer a fisga. Mas a vida não é um mecanismo previsível; é um tecido de quedas e renascimentos, um ciclo que insiste em nos ensinar através da dor e da esperança.

Aqui nascemos, e aqui caímos, repetidamente, como se o chão fosse apenas um lembrete de que o voo ainda não começou. Cada queda é um ensaio, cada dor é uma preparação para o próximo salto. E eles — os que lembraram, os que ouviram — ressoam conosco. São ecos de outras jornadas, vozes que nos lembram que não estamos isolados, que há uma continuidade maior do que nossos próprios passos.

As asas que carregamos não são ornamentos, são funções superiores, são chaves que destrancam portas invisíveis. Não são para exibir, mas para usar. Não são para o orgulho, mas para o propósito. E quando finalmente ousamos abrir essas asas, percebemos que o céu não é um limite, mas um convite. O voo não é apenas movimento, é revelação.

As ferramentas chegam, e com elas a ilusão de vitória ou derrota. Mas ganhar ou perder é irrelevante para quem nos observa. O que importa é o movimento, o ato de continuar, o sopro que insiste em nos manter de pé. Porque o verdadeiro triunfo não está em vencer, mas em persistir. Não está em conquistar, mas em se levantar. Não está em provar nada ao mundo, mas em provar a nós mesmos que ainda podemos.

E assim seguimos, entre quedas e voos, entre risos e tropeços, entre ilusões e revelações. Porque alguém lá de cima está torcendo por nós. Sempre. Não pelo resultado, mas pelo caminho. Não pela glória, mas pela coragem. Não pelo fim, mas pelo eterno ato de continuar.

E talvez seja isso o segredo: compreender que somos parte de um jogo invisível, onde cada peça tem valor, onde cada movimento é observado, onde cada silêncio é preenchido por uma torcida que não se cala. Somos frágeis, mas somos infinitos. Somos passageiros, mas somos lembrados. Somos apenas personagens, mas dentro de nós pulsa a eternidade.


*César

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