quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Ante a dor

Muitos de nós reagimos de forma bastante negativa aos sofrimentos.

Cremos em Deus, falamos de fé, esperança e gratidão ao Pai enquanto nossa vida corre tranquila.

Contudo, quando os ventos dos reveses nos atormentam, a revolta se instala e gritamos: Por que, Deus? Por que comigo?

Nesses momentos, esquecemos que Deus é o Pai de Amor e Justiça, olvidamos do poder da prece, esquecemos tantas coisas...

Analisando, no entanto, a vida de algumas criaturas verificamos que sofrem muito mais do que nós e não se mostram rebeldes, nem ingratas.

Recordamos que, mais ou menos seis anos antes de morrer, Francisco de Assis passou a sofrer de uma grave doença nos olhos, que lhe causava fortes dores.

A visão parecia coberta por um véu. Primeiro, ele começou a sentir como se os olhos estivessem se rasgando. Mais tarde, as pálpebras incharam devido à irritação e infecção.

Esfregar os olhos somente piorava. A luz o incomodava. E sua visão foi ficando sempre pior.

Acredita-se que se tratava de uma doença que grassava no clima seco e arenoso do Egito: o tracoma.

Francisco havia passado bastante tempo no acampamento dos cruzados, nas margens fétidas e úmidas do rio Nilo. Ali faltava higiene adequada e as doenças se alastravam.

No início da primavera de 1225, amigos levaram Francisco a um médico que havia imaginado um método revolucionário no tratamento das doenças dos olhos.

O médico chegou com o instrumento de ferro usado para cauterização. Acendeu o fogo e depois colocou nele o ferro.

Os amigos explicaram a Francisco o que ia fazer o médico: já vermelhos, os ferros seriam aplicados para queimar a carne dos dois lados da cabeça de Francisco, das maçãs do rosto às sobrancelhas.

As veias das têmporas seriam abertas e a esperança era que a infecção que causava a cegueira fosse drenada.

Enquanto os ferros avermelhavam, Francisco espantou a todos.

Com voz fraca e, com certeza, ansiosa, falou:

Meu irmão fogo, és nobre e útil entre todas as criaturas do Altíssimo. Sê bondoso comigo nesta hora.

Durante muito tempo te amei. Rogo a nosso Criador que te fez para que tempere teu calor, a fim de que eu possa suportar.

E com um gesto, abençoou o fogo.

Os amigos, apavorados com o procedimento que seria executado, fugiram e ele ficou só com o médico.

Os ferros foram aplicados e a queimadura se estendeu das orelhas às sobrancelhas. A cabeça ficou cauterizada. As veias abertas.

Quando os companheiros retornaram à sala, o paciente estava extraordinariamente calmo e sem queixas.

Todo o procedimento foi ineficiente mas o que ressalta é a fé de Francisco, exemplificando que o verdadeiro cristão deve suportar a dor, com serenidade, atestando da sua coragem.



Com certeza, muito ainda temos que aprender. Mas, enquanto os dias de bonança nos abraçam, oremos e peçamos a Deus que nos fortaleça para os dias de tempestade que poderão advir, em algum momento.

Pensemos nisso.

Seja valente

Seja corajoso. Mesmo que você não seja, finja ser. Ninguém vai saber dizer a diferença. Não permita que o telefone interrompa momentos impor...