quarta-feira, 28 de julho de 2010

Conheça os benefícios de um *pé na bunda

Durante os cinco anos em que esteve casada, a gerente de qualidade Gisele Abel, 24 anos, vivia o conto de fadas de qualquer garota que sonha em se casar. "Eu era uma dondoca, uma madame. Minha vida era um sonho de consumo de qualquer pessoa", relembra. Mas foi após o término do relacionamento que ela se viu tendo que assumir as rédeas de sua vida e responsabilidades que antes não existiam. "Mudei meu visual, mudei de cidade, arrumei um emprego e passei a ser independente financeiramente."


O fim de um relacionamento pode significar uma reviravolta na vida de qualquer mulher. E isso não significa somente mudar o corte dos cabelos, emagrecer quilos e mais quilos ou ainda sair sorridente por aí. "Em casos em que uma relação não dá certo, a mulher pode preencher o vazio deixado. Ela pode transformar o amor pela pessoa em amor por ela mesma", comenta o psicólogo Mauro Godoy.

Godoy salienta ainda que o "erguer a cabeça e seguir adiante" é algo saudável e uma fase que pode indicar o amadurecimento da mulher. "Sofrer é saudável porque amadurece, mas reagir e investir em si mesma é ainda mais saudável. É o amor próprio e a lucidez. É quase que obrigatório, por ser uma forma de sobrevivência". Então, se você acabou de levar o famoso "pé na bunda", o jeito é juntar os cacos e canalizar energia em tudo o que lhe possa fazer bem. E isso pode significar cuidar do corpo, investir na carreira ou ainda em uma viagem que você sempre sonhou.

"Eu não teria investido na minha carreira profissional se ainda estivesse casada", comenta Gisele. Assim como para ela, o término da relação foi o ponto de partida para o mergulho profissional da relações públicas Sheila Laranjeiras, 24 anos. "Me transformei em uma workaholic. Chego a trabalhar 19 horas por dia", conta. Depois do fim do relacionamento, Sheila precisou de seis meses para se recompor e seguir em frente. "Foi bastante dolorido, precisei de um tempo para voltar a minha rotina normal", relembra.

Saiba ver a luz no final do túnel
Segundo a psicóloga Sueli Castillo, o fim de um relacionamento pode ser bastante traumatizante, independentemente do grau de sentimento que exista. "Lidar com o fim de uma relação, ainda amando, gostando ou apenas acomodada em uma situação, é lidar com o deixar de ter, com as perdas. Essa situação causa muita angústia e desassossego para as pessoas", explica.

A psicóloga comenta ainda que o amadurecimento vem com a superação da dor da separação e com o desejo de transformar o que aconteceu de negativo na relação em aprendizado. A maneira como se lida com a situação, como a capacidade de recomeçar, a culpa e a readaptação social, são fundamentais para o crescimento pessoal da mulher. "Brincar de avestruz, enfiar a cabeça na terra e fazer de conta que nada aconteceu não leva ninguém a nenhum tipo de crescimento e amadurecimento."

Mas não é porque sua vizinha saiu aparentemente ilesa de um "pé na bunda" que você tem que ter a mesma reação. "Existem pessoas que têm resistência emocional, que enfrentam uma dor cara a cara, conscientemente", conta Godoy. O psicólogo diz ainda que mulheres que nunca passaram por uma perda tendem a ter menos estrutura para superar um rompimento amoroso. "Pessoas com mais vivência têm mais 'facilidade' em superar uma perda grande."

Independentemente da idade ou da experiência amorosa, é fundamental que se perceba o fim de um ciclo amoroso para que um outro possa ser começado. "É natural e extremamente saudável essa reciclagem na história de vida da mulher. Investir em estudos, buscar uma profissão ou começar a atuar no mercado de trabalho torna a mulher mais independente, ampliando sua visão a respeito de si mesma e do mundo no qual está inserida", finaliza Sueli.

Se for para somar, fique. Se não for, boa sorte…

Hoje a minha despensa emocional está arrumada e limpa, já não guardo mais rancores, nem amores que já passaram do prazo de validade. Não t...