segunda-feira, 17 de maio de 2010

Uma história chinesa


Lin casara-se e podia se dizer feliz, se não fosse um pequeno detalhe: sua sogra.

Lin amava seu marido mas não desejava aquela sogra. Especialmente porque, conforme a velha tradição chinesa, a nora deve servir a sogra.

Os meses foram se passando e o que, de início, era um desconforto, um mal-estar, foi se transformando em um terrível sentimento.

Lin odiava sua sogra e não podia conceber ter que servi-la ano após ano, na soma cadenciada dos dias.

Por isso, ela procurou um velho sábio e lhe disse que precisava de ajuda, precisava se livrar da sua sogra.

O sábio a escutou, com paciência. Depois, providenciou algumas ervas e as entregou à jovem esposa.

Essas ervas - explicou - são venenosas. Elas devem ser deixadas em infusão e servidas, uma vez ao dia, todos os dias.

E o que acontecerá? - perguntou ansiosa a consulente.

Ora, ao cabo de seis meses, sua sogra morrerá. No entanto, muito cuidado deve ser tomado a fim de que as desconfianças a respeito da morte não venham a cair sobre você.

Por isso, trate muito bem a sua sogra e quando ela morrer, chore bastante.

A jovem foi para casa feliz e, no dia imediato, começou a servir o chá com aquelas ervas para a sogra. Conforme fora orientada, começou a tratá-la muito bem.

Os dias foram passando e três meses depois, Lin se deu conta que a sogra estava diferente.

Ela não era mais tão complicada, nem chata, nem arrogante.

Quando estavam para se completar os seis meses, um grande pavor tomou conta de Lin.

Ela não queria que a sogra morresse. Afinal, se transformara numa mãe para ela.

Lin correu ao sábio. Contou o que acontecera e do seu arrependimento.

Novamente, o sábio a escutou, com calma e lhe disse que, em verdade, não fora a sogra que mudara, mas ela mesma.

Ao se casar, ela olhava a sogra como uma rival, alguém a quem seu marido pertencera e continuava pertencendo.

Tomara-se de raiva por ter que servi-la e passou a projetar nela o ódio que a si própria consumia.

Mas, a partir do momento que decidira tratá-la bem, tudo isso se evaporara.

No entanto, o que fazer agora? Ela envenenara a mãe de seu marido, ao longo daqueles meses.

O ancião a sossegou: Não eram ervas venenosas, ao contrário, de poder vitamínico. Pode continuar a servi-las no chá.

E a nora, tranquila, retornou ao seu lar, para prosseguir a viver em paz, usufruindo do amor daquela que se transformara em mãe atenciosa.

Nada mais destrutivo, para si e para os que a cercam, do que o ódio que a criatura conserva e alimenta no coração.

Por isso, Francisco de Assis, compreendendo esse campo psíquico de tormenta e de loucura, firmava-se na proposta do amor.

E dizia: Onde houver ódio, consenti que eu semeie amor.

Pensemos nisso e semeemos o bem imbatível e o inefável amor, que falam da presença de Deus no mundo. E sejamos felizes, desde agora.

sexta-feira, 14 de maio de 2010

O poder do pensamento na vida a dois


Descobrir que o universo funciona como um espelho e que atraímos para as nossas vidas aquilo que irradiamos através dos nossos pensamentos pode ser o início de uma nova felicidade a dois.
O maior instrumento de poder de que se tem notícia se encontra dentro de nós: o nosso pensamento. Como a eletricidade, o dinheiro e tantas outras coisas que, em essência, não são boas nem más, o pensamento produz resultados de acordo com o uso que se faz dele.
O fato é que estamos continuamente interagindo com o cosmos, emitindo e recebendo vibrações, e assim, criando as experiências que vivemos.
Ao tomar consciência do poder do pensamento, conquista-se a chave para abrir as portas que levam à realização dos nossos desejos mais profundos. Depois de Einstein e da física quântica,não há como negar que, em essência, somos energia. É essa energia se consubstancia na matéria, transformando-se em corpo, mente, emoção.
Círculo virtuoso X círculo vicioso.
Se temos bons pensamentos e nos mantemos em sintonia com as correntes vibratórias carregadas de energia positiva, nos tornamos capazes de realizar as ações que nos levarão à felicidade. Se, ao contrário, abrigamos pensamentos negativos de inveja, maldade, crítica, intolerância, por exemplo, as nossas ações não irão resultar em experiências positivas
Os pensamentos nos fazem sentir emoções variadas, e essas emoções, por sua vez, influenciam a nossa saúde, ajudando-nos a nos manter saudáveis e bem dispostos, ou nos tornando depressivos e doentes. Estabelecemos, assim, um círculo virtuoso ou vicioso, dependendo do cuidado que temos com aquilo que abrigamos em nossas mentes.

Se quisermos viver relacionamentos amorosos felizes, o primeiro cuidado a ser adotado é em relação aos nossos pensamentos. A lei da sintonia, como toda lei espiritual, pode não ser aceita ou compreendida, mas nem por isso deixa de produzir efeitos (Jael Coaracy).Pense nisso...e tenha um bom dia...

quinta-feira, 13 de maio de 2010

Chaga da Humanidade



Conta-se que, certa vez, um adestrado catador de caranguejos executava sua tarefa num mangue, quando alguns turistas pararam para observar o seu trabalho.

Era um esforço grande que realizava o homem, todo enlameado. O que perceberam os observadores é que o catador tinha dois baldes. Um com tampa e outro sem tampa.

A cada caranguejo que pegava em suas mãos, examinava e concluía: este é bom, e colocava no balde com tampa. Ou, este é ruim, e colocava no balde sem tampa.

Depois de um determinado período, um dos turistas não aguentou a curiosidade e perguntou ao catador de caranguejos por que ele realizava aquela divisão em baldes diferentes, algo que absolutamente ele não conseguia entender.

O trabalhador não se fez de rogado e foi explicando: É simples, muito simples. Coloco no balde com tampa os caranguejos bons, para eles não fugirem, pois eles têm condições de retornar ao seu local de origem, seu próprio mundo.

Mas os caranguejos ruins não precisam de tampa. São uns egoístas. Quando um deles tenta fugir, sair do balde, os outros se agarram nele e o puxam para baixo. Por isso, com eles não preciso me preocupar.

* * *

Por vezes, em nossas ações, nos comportamos de forma semelhante aos pequenos animais da história. É quando nos deixamos dominar pelo egoísmo, essa chaga da humanidade, que deve desaparecer da Terra, pois que compromete o progresso.

O egoísmo é filho do orgulho e é causador de muitos males. É a negação da caridade e somente tem contribuído para tornar os homens infelizes.

Graças ao egoísmo, o homem tem vivido muito mais para sua própria satisfação do que para o interesse dos demais.

Nas relações conjugais, mais de uma vez surgem questiúnculas porque cada um deseja que o outro ceda, renuncie em seu favor.

Por egoísmo, a esposa não permite ao marido a continuidade de estudos avançados que lhe exigiriam algumas horas a mais, fora do lar, por determinado período.

Por egoísmo, o marido cria obstáculos a voos mais altos da esposa, pois a deseja para si em todos os momentos.

Em nome do egoísmo, irmãos entram em disputas judiciais pela posse de bens perecíveis, destruindo-se mutuamente e infelicitando os pais desencarnados.

Por egoísmo, obras de arte permanecem ocultas a muitos olhos, segregadas em salas fechadas e exclusivas.

Por egoísmo, nos fechamos, impedindo-nos de progredir. Por causa dele, erguemos altos muros ao nosso redor.

Cerramos as portas do coração e as janelas da alma, não desejando que outros desfrutem da beleza dos nossos jardins ou das riquezas de nossa intimidade.

Quando os ventos do egoísmo soprarem débeis ou fortes nas veredas das nossas vidas, preservemo-nos da sua ação destruidora, recordando que efêmera é a passagem pela Terra.

Que os únicos bens que realmente nos beneficiarão são os do Espírito, frutos da ação generosa, da divisão e distribuição, do que temos à farta: bens materiais, inteligência, tempo, amor.

quarta-feira, 12 de maio de 2010

Onde estás?


Meu Amor, onde estás? E porque razão, interrogo-me sozinho. Porque razão nos mantemos afastados? Não conheço as respostas para estas perguntas, por mais que me esforce a compreender. Fazes-me falta.

Eu sonho com o teu rosto, sinto saudades do teu corpo e em seguida imagino-te fazendo parte do meu cenário. Eu teria tanta coisa para dizer-te, se eu soubesse como. Como fazer para que leias os meus pensamentos? Assim saberias o quanto és especial para mim e saberias como eu me sinto sem ti. Quando sonho, é contigo. Quando acordo é em ti que penso, és tu que eu abraço quando estou junto ao mar, é por ti que eu sei o verdadeiro significado da palavra amor, é por ti que eu sei amar e mesmo que te encontres distante, eu pergunto, porque tinha de me apaixonar, com tanta gente no Mundo, por alguém que insiste em não chegar. Mas eu obtenho a resposta a esta pergunta, no meio de tanta gente, eu amo-te porque eu conheço-te melhor que o meu próprio coração. Eu daria a minha alma, o meu coração e todo o meu tempo. Mas, por mais que eu entregue tudo, tudo não tem sido suficiente.

Sabes, meu amor, morrer não é triste e não penses que só porque não estás comigo seja essa a minha vontade. Não. Quero somente dizer, que triste é sentir que fui esquecido por ti, não sou compreendido e sentir esta ausência que insistes em dar. É isto que me dói, morrer comparado a isto não é nada. Tenho no dedo a marca do compromisso assumido, aos olhos do mundo um homem comprometido. Mas aos olhos do meu Eu é pura ilusão, é um amargo sofrimento que só magoa o coração.

Onde estarás? Não sei!... Suaves lembranças agradáveis, voltam ao meu pensamento. Lembrei as músicas...sim, era a nossa, que um dia ouvimos, quanto tempo já passou. A cada dia surge novas esperanças e tu na minha alma ficaste, como afectuosa saudade e suave lembrança deste nosso desencontro. Aprendi que viver o presente era a escolha mais certa que poderia fazer, mas até no meu presente continuas a estar em mim…porque continuo a amar-te tanto assim.

terça-feira, 11 de maio de 2010

O valor da amizade


Você já parou para pensar sobre o valor da amizade?

Às vezes nos encontramos preocupados, ansiosos,
em volta há situações complicadas, nos sentindo meio que perdidos, mas somente o fato de conversarmos com um amigo, desabafando o que nos está no íntimo, já nos sentimos melhor, mesmo que as coisas permaneçam inalteradas.

Quantas vezes são os amigos que nos fazem sorrir quando tínhamos vontade de chorar, mas a sua simples presença traz de volta o sol a brilhar em nossa vida.

A simplicidade das brincadeiras pueris, da conversa informal,
momentos de descontração que muitas vezes pode ser numa conversa rápida ao telefone, no vai e vem do dia ou da noite,
no ambiente de trabalho ou de escola, enfim, em qualquer lugar a qualquer hora.

Entretanto, não existe só alegria, amor, felicidade nesta relação que como em qualquer outro relacionamento,
passa por crises passageiras, por momentos intempestivos, abalos ocasionais.

Ainda que tenhamos muito carinho pelo amigo em questão,
às vezes por insegurança, por ciúme, por estarmos emocionalmente alterados ou nos sentindo pressionados,
acabamos sendo injustos com ele e isso pode ser recíproco.

Podemos comparar esse elo de amizade ao tempo que passa por alterações climáticas constantemente, mas é dessa forma que aprendemos a nos conhecer, compartilhar momentos, que se desenvolve uma amizade.

Diante do amigo somos nós mesmos, deixamos vir à tona nossos pensamentos a respeito das coisas, da vida, nos mostramos como verdadeiramente somos.

Há amigos que nos ensinam muito, nos fazem enxergar situações que às vezes não percebemos o seu real sentido,
compartilham a sua experiência conosco, nos falam usando da verdade que buscamos encontrar.

São eles também que nos chamam a razão, chamando a nossa atenção quando agimos de modo contraditório, que nos dizem coisas que não queremos ouvir, aceitar, compreender.

Ao longo de nossa vida muitos amigos passam por ela e nos deixam saudade, mas também deixam a recordação de tudo que foi vivido.

É na amizade verdadeira que encontramos sinceridade, lealdade, afinidade, cumplicidade, simplicidade, fraternidade.Pense nisso...e tenha um bom dia...

segunda-feira, 10 de maio de 2010

Leis Morais


A lei de gravitação universal é uma das leis que regem o mundo físico. Isso ninguém pode contestar.

Da mesma forma que existem leis regendo o universo físico, há leis que regem o mundo moral.

Jesus a elas se referia quando asseverou: "é mais fácil passar o céu e a terra, do que perder-se um til da lei" (Lc. 16:14 –17)

Sabemos que não poderia referir-se Jesus às leis humanas, tão falhas ainda.

Muitos crimes são cometidos no mais completo anonimato. Como poderiam as leis humanas punir tais infrações se delas não toma conhecimento?

Jesus conhecia em totalidade os mecanismos que regem as leis morais. Ele sabia que nenhuma infração passa desapercebida. Sabia que todos nós estamos nelas mergulhados e que jamais as poderemos burlar sem assumir as conseqüências.

Dessa forma, nenhum til da lei se perderá. Todos os nossos pensamentos e atos equivocados estão registrados nos arquivos sublimes à espera da devida reparação.

Assim como todos os pensamentos e atos conformes com essas leis estão creditados em nossa economia moral, constituindo-se em méritos luminosos em nosso favor.

Quando Jesus afirmou que "a cada um será dado conforme suas obras" (Mt. 16:27), resumiu, de forma esplêndida o mecanismo da justiça divina.

Não há nada mais consolador do que saber que cada um responderá, mais cedo ou mais tarde, pelo atos cometidos.

Assim, não temos mais que nos ocupar nem nos agastar com os equívocos dos outros. As leis humanas cuidam deles. E o que, por ventura, escapar das leis dos homens, não escapará das leis divinas.

Quando Pedro, o Apóstolo, questionou o mestre acerca do destino dos homens corruptos e injustos da sua época, Jesus respondeu sabiamente: não se preocupe com eles, Pedro. Eles viverão.

A resposta do mestre foi curta mas profundamente sábia. Jesus sabia que a vida não cessa. Sabia também que logo mais os infratores teriam que refazer os equívocos e ajustar-se com as leis, das quais não se perde nem um til.

Assim, quando a leviandade e a corrupção, a violência e indiferença dos homens nos incomodar, tenhamos uma única certeza: eles viverão.

Não nos desesperemos, pois cada um receberá conforme suas obras.

Você sabia que são dez as leis morais que regem a vida?

São elas: lei de adoração, lei do trabalho, lei de reprodução, de conservação, de destruição, lei de sociedade, lei do progresso, de igualdade, de liberdade e de justiça, amor e caridade.

E você sabia que essa classificação das leis foi trazida pelos Espíritos Superiores?

Se você deseja conhecer mais sobre esse assunto e outros tantos que nos dizem respeito, leia "O Livro dos Espíritos, de Allan Kardec.

É um livro de fácil leitura, pois está disposto em forma de perguntas e respostas, todas encadeadas didaticamente.

Carta de uma mãe


Mães são criaturas especiais. Elas têm uma visão de mundo toda peculiar.

Guardam experiência porque já viveram mais tempo que seu filho. Experimentaram incontáveis alegrias. Também tristezas, mágoa e dor.

E sabem que, por mais amem seu filho, não poderão impedir que tudo isso ele também experimente: coisas positivas e coisas negativas.

Sabem igualmente que isso faz parte do grande aprendizado que redundará em progresso para ele próprio.

Possivelmente por essa razão é que uma mãe elaborou uma carta, mais ou menos nos seguintes termos:

Caro mundo: Meu filho começou hoje na escola. Durante algum tempo, tudo vai ser estranho e diferente para ele.

Eu gostaria que você o tratasse com carinho.

Até aqui, sempre estive ao lado dele. Aquieto seu coração. Curo suas feridas.

Estou por perto quando ele cai e rala o cotovelo ou o joelho.

Quando ele cai da bicicleta, do skate e tropeça nos cadarços soltos do tênis.

Mas agora tudo vai ser diferente. Esta manhã ele vai sair pela porta da rua, acenar para mim e começar sua grande aventura.

Ele irá aprender provavelmente sobre disputas, tragédia e sofrimento.

Para viver neste mundo é preciso fé, amor e coragem.

Por isso, mundo, eu gostaria que você o pegasse pela mão e ensinasse o que ele precisa saber.

Ensine-o, mas com carinho. Ensine-o que, para cada malandro que existe por aí, existe também um herói.

E que, em verdade, há muito mais heróis do que malandros. Heróis anônimos que realizam grandes proezas todos os dias.

Fale-lhe muito mais dos heróis. Incentive-o a se tornar um deles.

Ensine-o que para cada político corrupto existe um líder dedicado.

E narre-lhe detalhes das vidas desses líderes para que os possa imitar.

Ensine-o que para todo inimigo existe também um amigo. Diga-lhe como conquistar e conservar amigos.

Ensine-o sobre as maravilhas dos livros. Livros de ciência, de arte, de grandeza.

Dê a ele um momento de silêncio para que possa ponderar sobre o mistério dos pássaros no céu, das abelhas ao sol e das flores nas campinas.

Ensine-o que é muito mais digno fracassar do que trapacear.

Ensine-o a ter fé nas próprias ideias, mesmo quando todo mundo lhe disser que ele está errado.

Ensine-o a vender seu cérebro e seus músculos pelo mais alto preço. Mas faça-o ciente de que seu coração e sua alma nunca devem ser colocados à venda.

Ensine-o a fechar os ouvidos para o clamor da multidão... E manter-se firme e disposto a lutar quando achar que está certo.

Ensine-o com carinho, mundo, mas não o mime, pois é o teste do fogo que produz o aço mais resistente.

Mundo, veja o que você pode fazer por meu filho. Ele é alguém muito especial.


A educação de uma criança não é somente um trabalho de amor e um dever.

É uma missão importante, desafiadora e honrosa. Em verdade, ela exige do educador o melhor que ele tenha para dar.

Por isso, maternidade e paternidade são missões das mais nobres, confiadas pela Divindade à mulher e ao homem.

Pense nisso!

quinta-feira, 6 de maio de 2010

Coração de luto


O maior golpe do mundo
Que eu tive na minha vida
Foi quando com nove anos
Perdi minha mãe querida

Morreu queimada no fogo
Morte triste, dolorida
Que fez a minha mãezinha
Dar o adeus da despedida

Vinha vindo da escola
Quando de longe avistei
O rancho que nós morava
Cheio de gente encontrei

Antes que alguém me dissesse
Eu logo imaginei
Que o caso era de morte
Da mãezinha que eu amei

Seguiu num carro de boi
Aquele preto caixão
Ao lado eu ia chorando
A triste separação

Ao chegar no campo santo
Foi maior a exclamação
Cobriram com terra fria
Minha mãe do coração

Dali eu saí chorando
Por mãos de estranhos levado
Mas não levou nem dois meses
No mundo fui atirado

Com a morte da minha mãe
Fiquei desorientado
Com nove anos apenas
Por este mundo jogado

Passei fome, passei frio
Por este mundo perdido
Quando mamãe era viva
Me disse: filho querido

Pra não roubar, não matar
Não ferir, não ser ferido
Descanse em paz, minha mãe
Eu cumprirei seu pedido

O que me resta na mente
Minha mãezinha é teu vulto
Recebas uma oração
Desse filho que é teu fruto

Que dentro do peito traz
O seu sentimento oculto
Desde nove anos tenho
O meu coração de luto.



Composição: Teixerinha

quarta-feira, 5 de maio de 2010

Ser mãe


A missão de ser mãe quase sempre começa com alguns meses de muito enjôo, seguido por anseios incontroláveis por comidas estranhas, aumento de peso, dores na coluna, o aprimoramento da arte de arrumar travesseiros preenchendo espaços entre o volume da barriga e o resto da cama.

Ser mãe é não esquecer a emoção do primeiro movimento do bebezinho dentro da barriga.

O instante maravilhoso em que ele se materializou ante os seus olhos, a boquinha sugando o leite, com vontade, e o primeiro sorriso de reconhecimento.

Ser mãe é ficar noites sem dormir, é sofrer com as cólicas do bebê e se angustiar com os choros inexplicáveis: será dor de ouvido, fralda molhada, fome, desejo de colo?

É a inquietação com os resfriados, pânico com a ameaça de pneumonia, coração partido com a tristeza causada pela morte do bichinho de estimação do pequerrucho.

Ser mãe é ajudar o filho a largar a chupeta e a mamadeira. É levá-lo para a escola e segurar suas mãos na hora da vacina.

Ser mãe é se deslumbrar em ver o filho se revelando em suas características únicas, é observar suas descobertas.

Sentir sua mãozinha procurando a proteção da sua, o corpinho se aconchegando debaixo dos cobertores.

É assistir aos avanços, sorrir com as vitórias e ampará-lo nas pequenas derrotas. É ouvir as confidências.

Ser mãe é ler sobre uma tragédia no jornal e se perguntar: E se tivesse sido meu filho?

E ante fotos de crianças famintas, se perguntar se pode haver dor maior do que ver um filho morrer de fome.

Ser mãe é descobrir que se pode amar ainda mais um homem ao vê-lo passar talco, cuidadosamente, no bebê ou ao observá-lo sentado no chão, brincando com o filho.

É se apaixonar de novo pelo marido, mas por razões que antes de ser mãe consideraria muito pouco românticas.

É sentir-se invadir de felicidade ante o milagre que é uma criança dando seus primeiros passos, conseguindo expressar toscamente em palavras seus sentimentos, juntando as letras numa frase.

Ser mãe é se inundar de alegria ao ouvir uma gargalhadinha gostosa, ao ver o filho acertando a bola no gol ou mergulhando corajosamente do trampolim mais alto.

Ser mãe é descobrir que, por mais sofisticada que se possa ser, por mais elegante, um grito aflito de mamãe a faz derrubar o suflê ou o cristal mais fino, sem a menor hesitação.

Ser mãe é descobrir que sua vida tem menos valor depois que chega o bebê.

Que se deseja sacrificar a vida para poupar a do filho, mas ao mesmo tempo deseja viver mais – não para realizar os seus sonhos, mas para ver a criança realizar os dela.

É ouvir o filho falar da primeira namorada, da primeira decepção e quase morrer de apreensão na primeira vez que ele se aventurar ao volante de um carro.

É ficar acordada de noite, imaginando mil coisas, até ouvir o barulho da chave na fechadura da porta e os passos do jovem, ecoando portas adentro do lar.

Finalmente, é se inundar de gratidão por tudo que se recebe e se aprende com o filho, pelo crescimento que ele proporciona, pela alegria profunda que ele dá.

Ser mãe é aguardar o momento de ser avó, para renovar as etapas da emoção, numa dimensão diferente de doçura e entendimento.

É estreitar nos braços o filho do filho e descobrir no rostinho minúsculo, os traços maravilhosos do bem mais precioso que lhe foi confiado ao coração: um Espírito imortal vestido nas carnes de seu filho.

A maternidade é uma dádiva. Ajudar um pequenino a desenvolver-se e a descobrir-se, tornando-se um adulto digno, é responsabilidade que Deus confere ao coração da mulher que se transforma em mãe.

E toda mulher que se permite ser mãe, da sua ou da carne alheia, descobre que o filho que depende do seu amor e da segurança que ela transmite, é o melhor presente que Deus lhe deu.

Adeus papai, Adeus mamãe



Eu sou o filho que volta, a bater na mesma porta
Que há muito tempo eu fechei,
Quando fui embora chorando e aqui soluçando
Papai e mamãe eu deixei
Hoje de volta, vejo a gaiola vazia do canário que um dia,
Eu mesmo mandei soltar,
Talvez o pobre passarinho, voltou ao seu velho ninho
Como eu voltei ao meu lar
Vejo o meu cão policial latindo ali no quintal
Talvez nem me reconheceu
Vem lobo, vem ver o seu dono que te deixou no abandono
Sem ao menos dizer-lhe adeus.
Já vai alta a madrugada, vejo a janela fechada
Do quarto de meus velhinhos
Talvez mãezinha chora, sem nunca pensar que agora
O seu filho está tão pertinho!
Talvez pensam que eu morri, porque nunca lhes escrevi
Desde a minha despedida.
Eles devem estar velhinhos, já na curva do caminho
Que conduz ao fim da vida
Abra a porta papai!
O seu filho está de volta prá pedir sua benção,
Eu que sua voz não sai, cortada pela emoção
Não precisa dizer nada, deixe as lágrimas derramadas
Banharem meu peito de dor.
Eu que vivi sem carinho, 20 anos papaizinho
Quero agora o seu amor!
Papai, cadê minha mãezinha?
Meu pensamento adivinha, olhando nos olhos seus
Meu filho, chorando quero te dizer:
Sua mão não pode viver, foi se embora morar com Deus.
Qual uma flor entre espinhos, no abandono murchou
Papai como você está velhinho
Seus cabelos estão branquinhos,
foram as tardes sem fim
Vejo na parede a fotografia da mãezinha que um dia deixei a
chorar,
Parece que ele me diz:
"Filho como estou feliz, de ver você regressar"
Parti pra fazer riqueza, pra tirar-me da pobreza
E ao meu pai e minha mãezinha,
Mas compreendi tarde demais,
Que eram os meus velhos pais, a maior riqueza que eu
tinha

segunda-feira, 3 de maio de 2010

O potencial de cada um


Conta-se que, certa vez, os animais de uma floresta que estava sendo devastada pelos homens se reuniram para discutir os seus problemas.
Decidiram, após amplos debates, que a coisa mais importante a fazer seria criar uma escola.
Organizaram um currículo que objetivava desenvolver as habilidades de voar, saltar, nadar, correr e escalar. Todas consideradas necessárias e importantes para quem vive em uma floresta.
No entanto, apesar de terem utilizado métodos muito avançados, o desempenho dos alunos não foi dos melhores e a maioria conseguiu apresentar rendimento satisfatório em apenas uma ou duas habilidades.
O pato foi excelente em natação mas apenas razoável em voos e péssimo em corridas.
Para melhorar em corrida treinou tanto que gastou suas patas e não conseguiu nadar como antes, baixando seu aproveitamento em natação.
O coelho, que vinha se destacando em corrida, desde o início do curso, acabou sofrendo um colapso de tanto se esforçar para melhorar em natação.
A capivara, que nadava e corria muito bem, acabou se esborrachando ao tentar voar. O susto foi tão grande que ela ficou traumatizada e não conseguiu mais nem correr, nem nadar.
Os pássaros, por sua vez, protestaram, desde a criação da escola, porque a habilidade de cantar não estava incluída no currículo.
Para eles, o canto era de importância fundamental para a qualidade de vida na floresta.
Quando o currículo todo foi dado, o único animal que concluiu o curso e fez o discurso de formatura foi a enguia.
Não que ela tivesse maiores habilidades. Em verdade, ela não se esmerara em nada e conseguira fazer um pouco de todas as matérias mais ou menos pela metade.

Com certeza, ao imaginarmos uma capivara tentando voar ou um coelho se dedicando à natação, rimos da história.
Mas, se olharmos ao nosso redor, vamos nos dar conta de que, por vezes, agimos exatamente como os animais da escola da floresta.
É quando tentamos considerar todas as pessoas iguais, destruindo o potencial da criatura de ser ela mesma.
Assim é quando, na posição de pais, insistimos com nosso filho para que siga determinada profissão.
Ele adora dançar mas nós lhe dizemos que isso não lhe conferirá uma carreira de sucesso e insistimos para que abrace a profissão que toda a família segue.
Até mesmo porque ele deve dar continuidade à tradição ou assumir o negócio da família, logo mais.
Por isso é que algumas empresas de tradição, em determinado momento, passando a ser administradas por quem não tem potencial nem vontade para o tipo de negócio, acabam por desaparecer.
Ou então, a pessoa desenvolve as habilidades que lhe são exigidas, mas nunca será um profissional de qualidade. Isso porque não ama o que faz.
E se transformará em uma criatura frustrada, infeliz, sempre reclamando de tudo e de todos.
Pensemos nisso e passemos a valorizar mais a habilidade e o potencial de cada um.
Lembremos que a natureza é tão exuberante exatamente pelas diferenças que apresenta nos reinos mineral, vegetal, animal onde cada um é especial e desempenha, na Terra, a missão que o Divino Criador lhe confiou.

Respeitar e Se Respeitar

A pessoa que você mais sente falta está fazendo a escolha diária de não ter você na vida dela. Essa decisão dói, porque o coração insiste em...