quarta-feira, 14 de abril de 2010

Quem ama acredita


Talvez tu me julgues insano se souberes que vi nos teus olhos o brilho quando olhei para aquela estrela, ou que senti os teus lábios nos meus quando beijei aquela rosa, ou que me alimentei de recordações, pensando em ti. Possivelmente irás rir ou acharás que sou ridículo se souberes que nem mesmo o tempo, a distância, a ausência, o silêncio e até a indiferença não são motivos para que eu deixe de amar-te, porque o amor reside no coração de nós e está completamente alheio aos acontecimentos e fatores externos.

Certamente não acreditarás se souberes que sonho contigo todos os dias e que, ao acordar, recebes o meu beijo, o meu abraço, o meu bom dia, o meu afago. Claro que é inevitável inserir-te nas minhas preces, antes de dormir! Não imaginas, indubitavelmente, o quanto tu fazes parte da minha vida, quantos segredos já te contei, o quanto já namoramos e nos amamos nos meus mais íntimos pensamentos, quantas lágrimas lavaram abundantemente o meu rosto, quantos soluços foram sufocados, quanta esperança eu deixei crescer dentro de mim. Talvez eu seja infantil, burro ou um romântico incompreendido por tanto amar, iludido por acreditar que posso e devo entregar-te, de alma aberta, o imenso amor crescente a cada instante e que transborda do meu peito, porque a ti ele pertence.
Sou um homem apaixonado que ainda não descobriu o que fazer para reduzir esta paixão que um dia aflorou e que, de tão bonita e perfumada, insiste em se manter viva e brilhante. Talvez tu devesses saber dos meus sentimentos, conhecer a sua profundidade, a sua sinceridade, o seu encanto, a sua doçura, a sua pureza, mas, ainda que soubesses, sei que não me compreenderias, não acreditarias, porque na verdade, já tiveste essa oportunidade mas não soubeste ou não quiseste abraçá-la. Assim, resta-me a tristeza de saber que a minha felicidade por amar-te não pode ser partilhada contigo, tenho certeza que, se pudesse, tu serias tão feliz quanto eu sou, pelo simples fato de amar-te tanto!

terça-feira, 13 de abril de 2010



Imagine uma panela cheia de água fria, na qual nada, tranquilamente, uma pequena rã. Um pequeno fogo é aceso embaixo da panela, e a água se esquenta muito lentamente. (Fiquem vendo: se a água se esquenta muito lentamente, a rã não se apercebe de nada!)Pouco a pouco, a água fica morna, e a rã, achando isso bastante agradável, continua a nadar. A temperatura da água continua subindo... Agora, a água está quente mais do que a rã pode apreciar; ela se sente um pouco cansada, mas, não obstante isso, não se amedronta. Agora, a água está realmente quente, e a rã começa a achar desagradável, mas está muito debilitada; então, suporta e não faz nada. A temperatura continua a subir, até quando a rã acaba simplesmente cozida e morta.Se a mesma rã tivesse sido lançada diretamente na água a 50 graus, com um golpe de pernas ela teria pulado imediatamente para fora da panela. Isto mostra que, quando uma mudança acontece de um modo suficientemente lento, escapa à consciência e não desperta, na maior parte dos casos, reação alguma, oposição alguma, ou, alguma revolta.Se nós olharmos para o que tem acontecido em nossa sociedade desde há algumas décadas, podemos ver que nós estamos sofrendo uma lenta mudança no modo de viver,
para a qual nós estamos nos acostumando.Uma quantidade de coisas que nos teriam horrorizado 20, 30 ou 40 anos atrás, foram pouco a pouco banalizadas e, hoje, apenas incomodam ou deixam completamente indiferente a maior parte das pessoas.Em nome do progresso, da ciência e do lucro, são efetuados ataques contínuos às liberdades individuais, à dignidade, à integridade da natureza, à beleza e à alegria de viver; efetuados lentamente, mas inexoravelmente, com a constante cumplicidade das vítimas, desavisadas e, agora, incapazes de se defenderem.As previsões para nosso futuro, em vez de despertar reações e medidas preventivas, não fazem outra coisa a não ser a de preparar psicologicamente as pessoas a aceitarem algumas condições de vida decadentes, aliás, dramáticas.O martelar contínuo de informações, pela mídia, satura os cérebros, que não podem mais distinguir as coisas... Quando eu falei pela primeira vez destas coisas, era para um amanhã. Agora, é para hoje!Consciência, ou cozido, precisa escolher!Então, se você não está, como a rã, já meio cozido, dê um saudável golpe de pernas, antes que seja tarde demais.

segunda-feira, 12 de abril de 2010

Quase acreditei


Quase acreditei que não era nada, ao me tratarem como nada. Quase acreditei que não seria capaz, quando não me chamavam, por acharem que eu não era capaz.Quase acreditei que não sabia, quando não me perguntavam por acharem que eu não sabia. Quase acreditei ser diferente entre tantos iguais, entre tantos capazes e sabidos, entre tantos que eram chamados e escolhidos.Quase acreditei estar de fora quando me deixavam de fora por que...que falta fazia? E de quase acreditar adoeci; busquei ajuda com doutores, mestres, magos e querubins. Procurei a cura em toda parte e ela estava tão perto de mimMe ensinaram a olhar para dentro de mim mesmo e perceber que sou exatamente, como os iguais que me faziam diferente. E acreditei profundamente em mim.E tenho como dívida com a vida fazer com que cada ser humano se perceba, se ame, se admire de si mesmo, como verdadeira fonte de riqueza.Foi assim que cresci: acreditando sou exatamente do tamanho de cada ser humano. E por acreditar perdi o medo de dizer, de falar, participar e até de cometer enganos.E se errar? Paciência, continuo vivendo, e por isso aprendendo.PORQUE ERRAR É HUMANO...Bom dia!!

sexta-feira, 9 de abril de 2010

Rifa-se um coração


Rifa-se um coração quase novo.Um coração idealista.Um coração como poucos.Um coração à moda antiga.Um coração moleque que insiste em pregar peças no seu usuário. Rifa-se um coração que na realidade está um pouco usado, meio calejado, muito machucado e que teima em alimentar sonhos e, cultivar ilusões. Um pouco inconseqüente que nunca desiste de acreditar nas pessoas. Um coração insensato que comanda o racional sendo louco o suficiente para se apaixonar.Sai do sério e, às vezes revê suas posições arrependido de palavras e gestos. Este coração tantas vezes incompreendido.Tantas vezes provocado. Tantas vezes impulsivo.Rifa-se este desequilibrado emocional que, abre sorrisos tãolargos que quase dá pra engolir as orelhas. Um coração para ser alugado, ou mesmo utilizado por quem gosta de emoções fortes. Um órgão abestado indicado apenas para quem quer viver intensamente e contra indicado para os que apenas pretendem passar pela vida matando o tempo, defendendo-se das emoções. Rifa-se um coração tão inocente que se mostra sem armaduras e deixa louco o seu usuário.Rifa-se um coração, ou mesmo troca-se por outro que tenha um pouco mais de juízo. Um amigo do peito que não maltrate tanto o ser que o abriga. Um coração que não seja tão inconseqüente. Rifa-se um coração cego, surdo e mudo, mas que incomoda um bocado. Um verdadeiro caçador de aventuras que, ainda não foi adotado, provavelmente, por se recusar a cultivar ares selvagens ou racionais, por não querer perder o estilo.Oferece-se um coração vadio, sem raça, sem pedigree.Um simples coração humano. Um coração que quando parar de bater ouvirá o seu usuário dizer para São Pedro na hora da prestação de contas. "O Senhor poder conferir. Eu fiz tudo certo, só errei quando coloquei sentimento. Só fiz bobagens e me dei mal quando ouvi este louco coração de criança que insiste em não endurecer e, se recusa a envelhecer". Um velho coração que convence seu usuário a publicar seus segredos e a ter a petulância de se aventurar como poeta.Bom dia!!

quinta-feira, 8 de abril de 2010

O Sentido da vida


Você já reparou como é difícil, algumas vezes, ter respostas para algumas dúvidas do dia a dia? Ter respostas para essas perguntas que nos surgem quando estamos na fila do supermercado, ou escovando os dentes ou parados no sinaleiro, dentro da condução?Você já não teve dessas perguntas que, um dia, sem pedir licença, entram em nossa mente e ficam rodando, rodando, até que desistimos delas, ou as guardamos no fundo, bem no fundo do baú de nossa mente?Quem de nós já não se perguntou por que nascemos em situações tão diferentes? E quanto às nossas capacidades, será que Deus nos criou assim tão diferentes uns dos outros?E por que Ele permite haver uns na Terra com tanto e outros com tão pouco? Ou ainda, por que pessoas boas sofrem, passam por provas, por dificuldades, dores?Se Deus é soberanamente bom e justo, se Deus é, na profunda síntese do Evangelista, amor, qual a razão disso tudo? Qual o sentido de todas essas coisas, aparentemente tão incoerentes?Na verdade, quando essas perguntas nos surgem, é nossa intimidade buscando respostas para o sentido da vida. São perguntas que a Filosofia vem se fazendo desde há muito, e que refletem o anseio que cada um de nós traz na intimidade: Afinal, qual o sentido da vida? Por que estamos aqui?Deus, ao nos matricular na escola da vida, deseja de nós que o aprendizado aconteça. Como todo pai ao matricular seu filho na escola, Ele espera que aprendamos a lição.Nos bancos escolares, nos matriculamos para aprender a escrever, a manipular os números, a entender um pouco as leis da Física, da Química e de tantas outras ciências. E na escola da vida, o que temos que aprender?Jesus, no Seu profundo entendimento das Leis de Deus, foi firme ao nos ensinar que o maior mandamento da Lei do Pai é o do amor.Assim, podemos entender que, quando matriculados na escola da vida, na escola que Deus nos oferece, Ele espera de nós essa única lição: aprender a amar.Dessa forma, todas as oportunidades que a vida nos oferece, são oportunidades para aprendermos a amar. Seja na situação financeira difícil, ou no físico comprometido, estão aí, para nós, as melhores lições para amar.A doença que nos surge, de maneira inesperada, é o convite à resignação e fé. O chefe difícil, intempestuoso, nos convida à compreensão.O filho exigente é a oportunidade da paciência e do desvelo. O marido tirano, a esposa intransigente são os portadores do convite à humildade e compreensão.A cada esquina, o que a vida nos oferece, seja da forma como ela nos oferece, sempre traz consigo oportunidade bendita do aprender a amar. Você já reparou nisso?E o aprender a amar se faz no exercício diário desse sentimento, desdobrado nos inúmeros matizes que ele guarda em si, nas mais variadas virtudes que ele permite ser vivido.Seja onde a vida nos colocar: no corpo doente, no lar carente, na família difícil, ali estará nossa melhor lição para amar.Tenha sempre em mente que o maior sentido da vida é conseguir perceber e entender que ela guarda, em cada oportunidade, em cada desafio que nos oferece, bendita lição para aprender a conjugar o verbo amar.

quarta-feira, 7 de abril de 2010

CONFIRA A TRADUÇÃO DO DIA COM CÉSAR BRITO

NÃO ESTÁS DEPRIMIDO, ESTÁS DISTRAÍDO



Distraído em relação à vida que te preenche, distraído em relação à vida que te rodeia, golfinhos, bosques, mares, montanhas, rios.Não caias como caiu teu irmão que sofre por um único ser humano, quando existem cinco bilhões e seiscentos milhões no mundo. Além de tudo, não é assim tão ruim viver só. Eu fico bem, decidindo a cada instante o que desejo fazer, e graças à solidão conheço-me. O que é fundamental para viver. Não faças o que fez teu pai, que se sente velho porque tem setenta anos, e esquece que Moisés comandou o Êxodo aos oitenta e Rubinstein interpretava Chopin com uma maestria sem igual aos noventa, para citar apenas dois casos conhecidos.Não estás deprimido, estás distraído. Por isso acreditas que perdeste algo, o que é impossível, porque tudo te foi dado. Não fizeste um só cabelo de tua cabeça, portanto não és dono de coisa alguma. Além disso, a vida não te tira coisas: te liberta de coisas, alivia-te para que possas voar mais alto, para que alcances a plenitude. Do útero ao túmulo, vivemos numa escola; por isso, o que chamas de problemas são apenas lições. Não perdeste coisa alguma: aquele que morre apenas está adiantado em relação a nós, porque todos vamos na mesma direção. E não esqueças, que o melhor dele, o amor, continua vivo em teu coração.Não existe a morte, apenas a mudança. E do outro lado te esperam pessoas maravilhosas: Gandhi, o Arcanjo Miguel, Whitman, São Agostinho, Madre Teresa, teu avô e minha mãe, que acreditava que a pobreza está mais próxima do amor, porque o dinheiro nos distrai com coisas demais, e nos machuca, porque nos torna desconfiados. Faz apenas o que amas e serás feliz. Aquele que faz o que ama, está benditamente condenado ao sucesso, que chegará quando for a hora, porque o que deve ser será, e chegará de forma natural. Não faças coisa alguma por obrigação ou por compromisso, apenas por amor. Então terás plenitude, e nessa plenitude tudo é possível sem esforço, porque és movido pela força natural da vida. A mesma que me ergueu quando caiu o avião que levava minha mulher e minha filha; a mesma que me manteve vivo quando os médicos me deram três ou quatro meses de vida.Deus te tornou responsável por um ser humano, que és tu. Deves trazer felicidade e liberdade para ti mesmo. E só então poderás compartilhar a vida verdadeira com todos os outros. Lembra-te: "Amarás ao próximo como a ti mesmo". Reconcilia-te contigo, coloca-te frente ao espelho e pensa que esta criatura que vês, é uma obra de Deus, e decide neste exato momento ser feliz, porque a felicidade é uma aquisição.Aliás, a felicidade não é um direito, mas um dever; porque se não fores feliz, estarás levando amargura para todos os teus vizinhos.Um único homem que não possuiu talento ou valor para viver, mandou matar seis milhões de judeus, seus irmãos.Existem tantas coisas para experimentar, e a nossa passagem pela terra é tão curta, que sofrer é uma perda de tempo. Podemos experimentar a neve no inverno e as flores na primavera, o chocolate de Perusa, a baguette francesa, os tacos mexicanos, o vinho chileno, os mares e os rios, o futebol dos brasileiros, As Mil e Uma Noites, a Divina Comédia, Quixote, Pedro Páramo, os boleros de Manzanero e as poesias de Whitman; a música de Mahler, Mozart, Chopin, Beethoven; as pinturas de Caravaggio, Rembrandt, Velázquez, Picasso e Tamayo, entre tantas maravilhas.E se estás com câncer ou AIDS, podem acontecer duas coisas, e ambas são positivas: se a doença ganha, te liberta do corpo que é cheio de processos (tenho fome, tenho frio, tenho sono, tenho vontades, tenho razão, tenho dúvidas)Se tu vences, serás mais humilde, mais agradecido... portanto, facilmente feliz, livre do enorme peso da culpa, da responsabilidade e da vaidade, disposto a viver cada instante profundamente, como deve ser. Não estás deprimido, estás desocupado.Ajuda a criança que precisa de ti, essa criança que será sócia do teu filho. Ajuda os velhos e os jovens te ajudarão quando for tua vez. Aliás, o serviço prestado é uma forma segura de ser feliz, como é gostar da natureza e cuidar dela para aqueles que virão.Dá sem medida, e receberás sem medida.Ama até que te tornes o ser amado; mais ainda converte-te no próprio Amor. E não te deixes enganar por alguns homicidas e suicidas.

O bem é maioria, mas não se percebe porque é silencioso. Uma bomba faz mais barulho que uma caricia, porém, para cada bomba que destrói há milhões de carícias que alimentam a vida. (Facundo Cabral). Pense nisso...e tenha um bom dia...

terça-feira, 6 de abril de 2010

UM MODELO PARA SEGUIR



É normal!
Esta é uma expressão que se escuta muitas vezes, quando se deseja justificar determinados comportamentos e atitudes.
É normal! Todos fazem!
Em verdade, nos equivocamos. O fato de muitos procederem de determinada maneira não quer dizer que aquilo seja normal.
Por exemplo, pode ser comum dizer palavrão. Mas, com certeza, não será padrão de normalidade, a não ser que nos esqueçamos dos itens mínimos de educação.
Pode ser comum a mentira, o enganar o outro. Contudo, não poderá ser considerada atitude normal, pois fere a ética.
Observando bem, constatamos que os seres humanos somos muito propícios à imitação, a copiar modelos.
Uma atriz aparece com um vestido diferente e, logo, é imitada por muitas mulheres. As lojas reproduzem aquele modelo, disponibilizando-o à venda, sabendo que terão mercado garantido.
O corte de cabelo do ator famoso de filme em cartaz, de imediato é imitado por centenas de garotos.
Assim é com a gíria que se alastra como rastilho de pólvora, com trejeitos, danças.
A adolescente aparece na escola com um tênis da marca X. É o que basta para as colegas pressionarem os pais por um igual.
Assim é com quase tudo. Imitam-se falas, maneiras de andar, de se expressar.
Fazer como o outro, agir como algum modelo se torna nocivo, quando a ação imitada conduz a algo ruim.
No século XIX, quando o escritor russo Léon Tolstoi publicou seu famoso romance Anna Karenina, o número de suicídios multiplicou.
As mulheres que se acreditavam não amadas, que tinham problemas semelhantes aos da pobre heroína do romance russo, procuraram a mesma falsa porta do suicídio.
Mas, se há exemplos ruins, existem, de outra parte, exemplos de extraordinário valor.
E nos reportamos ao maior de todos os exemplos. Aquele que afirmou: Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida.
Há mais de dois mil anos, Ele lançou Sua proposta de felicidade para o mundo.
E, no entanto, embora homens e mulheres de nobreza O tenham seguido, dado a vida pela verdade que Ele expressou, a Humanidade, como um todo, ainda anda distante de imitá-Lo.
Como seria salutar a todos nós se O buscássemos imitar em nossos dias.
Se O tomássemos verdadeiramente por Modelo e Guia e nos dispuséssemos a fazer o que Ele fez.
Afinal, nada tão difícil. O segredo é fazer ao outro aquilo que se deseja para si.
E, como todos desejamos o bem, o belo para nós é o que nos compete desejar e fazer ao nosso próximo.

Pensemos nisso. O Evangelho está aí, há mais de dois mil anos, nos convidando a sermos felizes.
Jesus prossegue de braços abertos, repetindo o Seu convite e a nos dizer que Ele é o Mestre e Senhor.
Imitemo-Lo. Todos os que O imitaram alcançaram a felicidade, a harmonia desde esta Terra.
Lembremos: Francisco de Assis... Madre Teresa de Calcutá... Albert Schweitzer... Damião de Vesteur... Gandhi...

segunda-feira, 5 de abril de 2010

A TRANQUILIDADE DAS OVELHAS




A noite estava escura, céu sem estrelas. De vez em quando ouvia-se o uivo de um lobo bem longe, misturado com o barulho do vento. As crianças reunidas na tenda do Mestre Benjamin estavam com medo. Mestre Benjamim sentiu o medo nos seus olhos. Foi então que uma delas perguntou: - Mestre Benjamim, há um jeito de não ter medo? Medo é tão ruim!Mestre Benjamim respondeu:- Há sim... E ficou quieto. Veio então a outra pergunta:- E qual é esse jeito?- É muito fácil. É só pensar como as ovelhas pensam...- Mas como é que vou saber o que as ovelhas estão pensando?Mestre Benjamim respondeu:- Quando durante a noite, as ovelhas estão deitadas na pastagem, os lobos estão à espreita. E eles uivam. As ovelhas têm medo. Mas aí, misturado ao uivo dos lobos, elas ouvem a música mansa de uma flauta. É o pastor que cuida delas e não dorme nunca. Ouvindo a música da flauta elas pensam:

Há um pastor que me protege. Ele me leva aos lugares de grama verde e sabe onde estão as fontes de águas límpidas. Uma brisa fresca refresca a minha alma. Durante o dia ele me pega no colo e me conduz por trilhas amenas. Mesmo quando tenho de passar pelo vale escuro da morte eu não tenho medo. A sua mão e o seu cajado me tranqüilizam. Enquanto os lobos uivam, ele me dá o que comer. Passa óleo perfumado na minha cabeça para curar minhas feridas. E me dá água fresca para sarar o meu cansaço. Com ele não terei medo, eternamente... (Salmo 23 )

Mestre Benjamim parou de falar. Os olhos de todas as crianças estavam nele. Foi então que uma delas levantou a mão e perguntou:- E os lobos? Eles vão embora? Eles morrem?- Os lobos continuam a uivar. E continuam a ser perigosos. O pastor não consegue espantar todos eles. E por vezes eles atacam e matam. Mas as ovelhas, ouvindo a música da flauta do pastor dormem sem medo, não porque não haja mais perigo, mas apesar do perigo. Não há jeito de acabar com o perigo. Mas há um jeito de acabar com o medo. Coragem é isso: dormir sem medo apesar do perigo...As crianças voltaram para suas tendas e dormiram sem medo, pensando nos pensamentos das ovelhas. De vez em quando, lá fora, ouvia-se o uivo de um lobo faminto. Desde então, tornou-se costume contar ovelhinhas para dormir.

Senhor é meu pastor, nada me faltará...Ainda que eu andasse pelo vale da sombra da morte não temeria mal algum, porque tu estás comigo...Pense nisso...e tenha um bom dia...

quinta-feira, 1 de abril de 2010

O METEORO E A TOUPEIRA


Quando nosso amado morreu, a Humanidade morreu, e por um tempo tudo ficou paralisado e cinzento.

Então, o Oriente escureceu e uma tempestade irrompeu, varrendo a Terra.

Os olhos do céu abriram-se e fecharam-se, e a chuva caiu torrencialmente lavando o sangue que jorrava das mãos e dos pés.

Também eu morri. Mas, nas profundezas do meu esquecimento, Ele disse:

"Pai, perdoai-os, pois eles não sabem o que fazem."

E Sua voz buscou o meu Espírito que se afogava e o trouxe à praia.

Ao abrir meu olhos, vi Seu corpo pálido pendurado a uma nuvem, e Suas palavras tomaram forma no meu corpo e tornei-me um novo homem.

Não mais me entristeci.

Quem se entristeceria por um mar que desvela seu rosto, ou uma montanha que ri ao sol?

Que homem diria tais palavras ao ver seu coração atingido?

Que outro juiz dos homens libertou seus juízes?

E alguma vez o amor desafiou o ódio com força mais segura de si própria?

Alguma vez foi tal clarim ouvido entre o céu e a Terra?

E houve alguma outra vez em que o assassinado tenha se compadecido do seu próprio assassino? Ou que o meteoro teria se retardado para poupar a toupeira?

As estações se cansarão e os anos envelhecerão, antes que essas palavras se exauram: "Pai, perdoai-os, pois eles não sabem o que fazem."

E nós, embora gerados por muitas e muitas vezes, as guardaremos...


Jesus não só ensinou pelo discurso. Ele foi além, exemplificando, um a um, todos eles.

Já havia falado sobre o perdão, sobre as setenta vezes sete vezes e,nos instantes derradeiros de Sua vida na Terra, mostrou, com beleza suprema, a prática do perdoar.

Qualquer outro condenado injustamente estaria se debatendo, acusando seus assassinos, jogando-lhes pragas, prometendo vingança.

Ele não... Ele nunca faria isso.

Ele compreendia o coração adoecido do homem da Terra e assim percebia que,naquele momento, quem precisava de ajuda, de amparo, não era Ele, mas sim, eles, Seus opositores.

Não os tinha como inimigos, pois não guardava ódio algum. Eram opositores momentâneos, opositores da verdade, toupeiras aterradas no solo da ignorância.

Ele, como meteoro gigantesco, amoroso em grau extremo, identifica a toupeira se debatendo no chão, e retarda Sua investida para não prejudicá-la.

Seu pedido de perdão por elas representa tal sentimento sublime.


Pensemos no gesto do Cristo, grandioso, surpreendente.

Que Ele nos inspire a perdoar, começando pelas pequenas coisas do dia a dia.

Que sejamos mais tolerantes com os deslizes do nosso próximo.

Que entendamos que os maus estão doentes, infelizes e precisam de nossa ajuda, e não de nossa animosidade em retribuição à sua.

Perdoar é livrar-se do peso da mágoa, que consome com o passar dos dias. Perdoar é fazer-se leve, elevando-se acima das dificuldades do mundo, assim como Jesus o fez.

A paz começa dentro.

Quantas vezes já engolimos palavras para não ferir alguém? Quantas vezes já sorrimos por fora enquanto o coração chorava por dentro? É fácil...