É normal a gente encontrar pessoas distribuindo respostas para o nosso coração.
Sempre tem alguém que sabe exatamente o que devemos fazer.
“Amiga, faça o que eu te digo: ignora ele. Homem gosta de mulher difícil”.
“Cara, deixa ela correr atrás. Mulher adora uma competição”.
Eu sou favor das trocas de pontos de vista.
A gente pode ter vivido as mesmas coisas, mas temos visões diferentes sobre cada uma delas.
Ao meu ver, isso é legal pra caramba porque não nos coloca em uma posição de certeza sobre tudo.
O que eu acho problema, porém, é a forma que o ponto de vista é falado. A gente precisa ter muito cuidado.
A gente não pode interpretar a história de alguém pensando em uma iniciativa que a gente tomaria naquela posição.
É muito fácil opinar sobre o que deve ou não ser feito vivendo tudo de fora.
Nossos conselhos e opiniões precisam ser responsáveis.
É perigoso demais colocar tudo numa caixinha e falar: “faça isso”, “não faça aquilo”.
Além de perigoso é bastante prepotente, afinal, quem é que garante que o resultado do que eu indicar que deve ser feito, por exemplo, vai ser o mesmo de quando eu fiz? É impossível garantir.
É especial poder contar com pessoas que ajudam e chegarmos em conclusões sobre nossas histórias, mas a gente não pode ser refém disso. A gente não pode deixar que nossas decisões sejam tomadas por outras pessoas.
Tem muita gente te dizendo o que deve ser feito.
Tem gente que diz para você não responder a mensagem.
Tem gente que diz para responder sim.
Tem gente que fala para você não perdoar.
Tem gente que fala que é melhor perdoar para não perder a pessoa.
Como que a nossa cabeça fica com esse monte de jeito de ver a vida?
Entendo que, em tese, toda e qualquer opinião que você pede para alguém que estima vai ser embasada num bem maior: te fazer ficar bem. As pessoas tendem a falar coisas que nos façam bem e que nos abrevie algum tipo de angústia e, em geral, essas pessoas se baseiam nas próprias experiências.
Eu não sou contra a coleção de opiniões das pessoas que gostamos. Esta é uma premissa da amizade.
Me manifesto contra, quando você não percebe que suas decisões só são tomadas após a influência de outras opiniões. É necessário ter o controle da própria vida e assumir os riscos de carregar um coração dentro do peito. Muita gente vai continuar te dizendo o que deve ou não ser feito e você pode ouvir a todos, mas a decisão final deve ser a que, exatamente, o seu coração te orientar.
Nenhum outro alívio é maior do que o de seguir o que o coração diz para fazer.
E isso não quer dizer que ele vai acertar sempre, mas ele é quem te conhece melhor.
E aí, feito isso, aquelas mesmas pessoas ainda vão se reunir para te falar coisas como: “eu te avisei” e aí você vai poder respirar e dizer:
“Me avisou, mas eu senti vontade de fazer outra coisa.” E tudo bem.
“Amiga, faça o que eu te digo: ignora ele. Homem gosta de mulher difícil”.
Você também pode, simplesmente, escolher não ignorar, puxar um assunto e continuar a conversa para ver até onde vai dar.
“Cara, deixa ela correr atrás. Mulher adora uma competição”.
Você pode, simplesmente, procurá-la também e demonstrar como tem gostado da conversa.
por Márcio Rodrigues
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