A Verdade Oculta em Cada Um de Nós



É curioso como o erro do outro sempre parece maior, mais grave, mais absurdo.
Mas, na verdade, ele só nos incomoda porque o nosso ainda não está exposto.
O que está escondido em silêncio dentro de nós não deixa de existir — apenas não foi revelado.

Julgar é fácil.
Apontar o dedo é simples.
Mas o julgamento quase sempre nasce da hipocrisia: da necessidade de disfarçar nossas próprias falhas, de esconder nossos próprios deslizes, de fingir que somos diferentes.
E não somos.
Todos carregamos sombras.
Todos temos histórias que preferimos não contar.
Todos já erramos, já caímos, já nos perdemos.
E todos, em algum momento, já nos escondemos atrás de máscaras para parecer mais fortes, mais corretos, mais íntegros do que realmente somos.

O erro do outro nos escandaliza porque nos lembra do nosso.
Nos lembra daquilo que tentamos negar, daquilo que escondemos atrás de aparências, daquilo que não queremos enfrentar.
E é por isso que o pecado alheio parece tão absurdo: ele expõe, diante dos nossos olhos, aquilo que nós mesmos não temos coragem de mostrar.
O que nos incomoda não é a falha do outro em si, mas o reflexo que ela projeta sobre nós.

A vida, porém, tem uma forma de revelar.
Mais cedo ou mais tarde, aquilo que está escondido vem à tona.
E quando isso acontece, percebemos que não somos diferentes dos que julgamos.
Percebemos que o erro não é privilégio de alguns, mas condição de todos.
Percebemos que o pecado não é absurdo — o absurdo é acreditar que não o temos.

O verdadeiro caminho não está em condenar, mas em compreender.
Não está em apontar, mas em acolher.
Não está em se sentir superior, mas em reconhecer que todos somos iguais na fragilidade.
Porque o erro do outro é apenas um espelho.
Um espelho que reflete, de forma dolorosa, aquilo que preferimos não ver em nós mesmos.
E esse espelho, por mais incômodo que seja, é também um convite: convite para a humildade, para a empatia, para o perdão.

Julgar é um ato rápido, mas compreender é um ato profundo.
Julgar nos afasta, mas compreender nos aproxima.
Julgar nos coloca em posição de poder, mas compreender nos coloca em posição de humanidade.
E é na humanidade que encontramos sentido, porque é nela que reconhecemos que todos somos falhos, todos somos frágeis, todos estamos em constante aprendizado.

No fim, o pecado do outro só parece absurdo porque o nosso ainda não foi exposto.
E quando for, entenderemos que não há superioridade, não há diferença, não há distância.
Há apenas humanidade.
E a humanidade é feita de erros, de quedas, de falhas — mas também de perdão, de aprendizado e de recomeço.

A vida não nos pede perfeição.
Ela nos pede consciência.
Ela nos pede coragem para olhar para dentro, reconhecer nossas sombras e, ainda assim, escolher a luz.
Ela nos pede humildade para aceitar que não somos melhores do que ninguém, mas que podemos ser melhores do que fomos ontem.
Ela nos pede compaixão para entender que o erro do outro não é motivo de condenação, mas oportunidade de reflexão.

E quando finalmente compreendemos isso, deixamos de nos escandalizar com o pecado alheio.
Passamos a enxergar nele não um absurdo, mas um lembrete.
Um lembrete de que todos estamos no mesmo caminho, todos estamos aprendendo, todos estamos tentando.
E que, no fim, o que realmente importa não é esconder nossas falhas, mas aprender com elas, crescer com elas e transformar nossas quedas em degraus para recomeçar.


*César

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