Depois Que Você Sente, Não Dá Pra Fingir
Há experiências que mudam tudo.
Não porque são gritantes, mas porque são sutis demais para serem ignoradas.
Elas não chegam com alarde, não pedem licença, não fazem promessas.
Mas quando acontecem… marcam.
E depois disso, nada volta a ser como antes.
É como o gosto de uma verdade que você não queria provar, mas provou.
Como o sabor de uma ausência que você não queria sentir, mas sentiu.
Como aquele instante em que algo dentro de você reconhece:
“Isso é real. Isso me tocou. Isso me atravessou.”
Depois que você sente, não dá pra des-sentir.
Depois que você prova, não dá pra fingir que não sabe.
Depois que você conhece, não dá pra voltar à ignorância confortável.
Você pode tentar racionalizar.
Pode tentar se convencer de que foi exagero, ilusão, impulso.
Pode tentar se distrair, se ocupar, se esconder.
Mas o corpo lembra.
A alma guarda.
O coração não esquece.
Porque há sabores que não são físicos.
São emocionais.
São espirituais.
São existenciais.
O sabor de uma conexão verdadeira.
O gosto de uma despedida que doeu mais do que deveria.
O gosto amargo de uma mentira descoberta.
O gosto doce de um amor que não teve tempo de florescer.
O gosto ácido de uma escolha que você não queria fazer, mas precisou.
E depois disso, você muda.
Não por escolha, mas por consequência.
Você começa a perceber nuances que antes passavam despercebidas.
Começa a identificar falsidades com mais rapidez.
Começa a sentir quando algo não encaixa, mesmo que tudo pareça perfeito por fora.
Porque o paladar da alma é exigente.
Ele não aceita imitações.
Não tolera disfarces.
Não se deixa enganar por embalagens bonitas.
Depois que você conhece o sabor da verdade,
fica impossível engolir mentiras.
Depois que você sente o gosto da liberdade,
fica insuportável viver em prisões emocionais.
Depois que você experimenta o amor genuíno,
fica evidente quando é só carência disfarçada.
E isso é um presente — mesmo que doa.
Porque te protege.
Te guia.
Te afasta do que não te serve.
Te aproxima do que te cura.
Então não se culpe por não conseguir voltar atrás.
Não se force a aceitar o que já não te alimenta.
Não se obrigue a engolir o que já te envenenou.
Você sentiu.
Você sabe.
Você reconhece.
E isso… isso é liberdade.
*César

