Os Olhos Que Ficam de Fora



Há pessoas que saem da sua vida, mas nunca saem da sua órbita.
Elas não estão mais presentes, não fazem mais parte da rotina, não dividem mais os dias —
mas continuam observando.
À distância.
Em silêncio.
Com olhos que não piscam.

Não é sobre saudade.
Não é sobre arrependimento.
É sobre inquietação.
Sobre o incômodo de ver você seguir sem elas.
Sobre a curiosidade de saber se você está melhor, mais leve, mais feliz.
Sobre a necessidade de medir o impacto da ausência delas na sua história.

E é curioso:
quanto mais alguém se afasta, mais parece querer saber.
Quanto menos participa, mais quer acompanhar.
Quanto menos contribui, mais quer avaliar.

Essas pessoas não estão ali pra torcer.
Estão ali pra medir.
Pra comparar.
Pra tentar entender como você floresceu sem o solo que elas ofereciam.
Como você se reconstruiu sem as ferramentas que elas negaram.
Como você se reinventou sem o apoio que elas nunca deram.

E isso diz mais sobre elas do que sobre você.

Porque quem não conseguiu permanecer, muitas vezes não foi por falta de espaço —
mas por falta de disposição.
Por falta de verdade.
Por falta de reciprocidade.

E agora, do lado de fora, elas observam.
Tentam decifrar o que você se tornou.
Tentam encontrar falhas, tropeços, rachaduras.
Porque é difícil aceitar que alguém cresceu sem você.
É difícil admitir que a ausência foi libertadora.
É difícil entender que o fim não foi uma perda — foi um alívio.

Mas você não precisa se preocupar com esses olhos.
Não precisa se moldar pra agradar quem já não está.
Não precisa se justificar pra quem escolheu partir.
Não precisa se explicar pra quem não quis ficar.

Você só precisa seguir.
Com verdade.
Com leveza.
Com paz.

Porque a sua vida não é palco pra quem não soube ser plateia.
Não é espetáculo pra quem não soube aplaudir.
Não é livro pra quem não quis ler — mas agora quer criticar o final.

E se hoje você é observado por quem não permaneceu,
que isso sirva como prova de que você fez o que precisava ser feito:
você seguiu.
Você se curou.
Você se tornou.

E isso… isso é o que mais incomoda quem não soube ficar.


*César

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