sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

Para Jesus, o coração

A jovem mulher estava no final de suas forças.
A viagem havia sido longa e cansativa.
Não havia vagas nas hospedarias e, mesmo que houvesse, o dinheiro era pouco.

Por generosidade de um senhorio, ela e seu marido receberam como abrigo uma estrebaria, a fim de que, ao menos, não passassem a noite ao relento.

Recostada sobre um amontoado de feno e tecidos velhos que se improvisaram em modesta cama, a flor de seu ventre desabrochou em luz e ela O tomou em seus braços, trazendo-o para perto de seu coração.

Então, as palavras do emissário do Senhor ressoaram em sua alma uma vez mais: Não temas, Maria. Eis que conceberás e darás à luz um filho e lhe porás o nome de Jesus. Ele será grande e será chamado filho do Altíssimo.

O médico fazia sua ronda nos diversos quartos do hospital.
Feliz Natal! - Desejava ele aos seus pacientes, pois aquele era o esperado vinte e cinco de dezembro.
Tal felicitação era mais uma questão de educação, pois o médico, em toda sua vida, nunca se considerara um homem de fé. Embora respeitasse todos os credos, Deus nunca passara de uma incógnita para ele.
De forma súbita, porém, a paz e a quietude da instituição foram quebradas por um alvoroço que vinha da recepção.
O médico, rapidamente, se dirigiu para lá, a fim de tomar conhecimento do que estava ocorrendo.
Era um taxista que discutia, de forma veemente, com a recepcionista do hospital.
Em seu carro estava uma moradora de rua, que ele encontrara em uma calçada. Ela estava prestes a dar a luz.
Todavia, aquele era um hospital particular e, sem o pagamento antecipado, a recepcionista não poderia permitir a admissão da gestante.
O médico, percebendo a gravidade da situação, tomou a frente do caso e, dando ordens à sua equipe, pediu para que internassem a mulher e se desse andamento aos procedimentos. Ele mesmo faria o parto.
Logo mais, nascia um lindo e saudável menino.
Olhando para o recém-nascido, o médico se sentiu profundamente emocionado.
Tomando-o em seus braços, ele se recordou do pouco que sabia acerca do nascimento do Mestre Nazareno.
Lembrou-se de que, assim como aquela criança, Jesus nascera muito pobre e, contudo, realizara grandes prodígios.
Ele pouco compreendia o Rabi Galileu, mas, quando olhou para o pequeno, viu nele o rosto do outro menino, o que nascera em Belém. E pareceu-lhe que o Cristo lhe estava sendo apresentado.
Naquele instante, fez-se Natal em seu coração.
*   *   *
Há muito mais para o Natal do que a luz das velas, majestosos banquetes e presentes.
Para o inimigo, o perdão. Para o oponente, a tolerância. Para a família, a gentileza. Para o próximo, o amor. Para o necessitado, a caridade. Para os que partiram, a oração. Para o mundo, a paz. Para Jesus, o coração.
Assim, de cada ato nascerá o Cristo e a voz dos mensageiros celestes eternamente ecoará nas profundezas de nossas almas: Glória a Deus nas alturas. Paz na Terra. Boa vontade para com os homens.

Fuja de quem se lembra dos pecados de todo mundo, mas se esquece do mal que fez.

Ninguém consegue ser bom o tempo todo, falar com doçura, sorrir com verdade. Somos humanos e, portanto passíveis de erros e vacilos, somos s...